Haddad reage ao tarifaço de Trump: “É agressão política, sem lógica econômica”

Haddad reage ao tarifaço de Trump: “É agressão política, sem lógica econômica”

Ministro da Fazenda diz que medida dos EUA é movida por interesse eleitoral e articulação de Bolsonaro; Lula promete resposta baseada na reciprocidade

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi direto ao ponto nesta quinta-feira (10): a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto, é — nas palavras dele — “uma agressão sem fundamento econômico e insustentável a longo prazo”.

Em entrevista ao Canal do Barão, no YouTube, Haddad acusou o governo de Donald Trump de tomar uma decisão puramente política, sem qualquer justificativa racional do ponto de vista comercial.

“Não faz sentido. Os EUA têm superávit com toda a América do Sul, inclusive com o Brasil. Essa taxação não tem base técnica ou econômica. É política, pura e simples”, criticou o ministro.

Ataque com DNA político

Para Haddad, a medida tem relação direta com a crise interna brasileira, especialmente com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. Segundo ele, a retaliação americana seria resultado de um movimento articulado por Bolsonaro e seus aliados no exterior para pressionar o governo Lula.

“É inaceitável que um país entre na onda de um político extremista para atacar uma nação com mais de 215 milhões de habitantes”, disse, chamando a medida de “agressão marcada para a história”.

Tarcísio no alvo

A fala de Haddad também foi um contra-ataque ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que culpou o Planalto pela medida adotada por Trump. Ao comentar o posicionamento do governador — que celebrou a posse do ex-presidente americano nas redes sociais e apareceu com boné “Make America Great Again” — o ministro foi irônico:

“Ou a pessoa quer ser presidente ou quer ser vassalo. E o Brasil aboliu a vassalagem em 1822”, disse Haddad, em tom ácido.

Economia em risco

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com compras que ultrapassaram US$ 40 bilhões em 2024. A taxação afeta diretamente setores como o agronegócio, especialmente nas exportações de carne, café, chocolate, soja e algodão — áreas em que Brasil e EUA são concorrentes diretos no mercado global.

Especialistas apontam que os consumidores americanos também devem pagar mais caro por esses produtos, já que o custo da importação subirá com as novas tarifas.

Lula promete resposta

O presidente Lula já indicou que o governo brasileiro vai reagir, com base na chamada Lei de Reciprocidade Econômica. Técnicos do Planalto estão estudando medidas comerciais e tarifárias em resposta ao tarifaço.

Enquanto isso, o clima entre Brasil e EUA esfria, e a crise econômica começa a ganhar contornos eleitorais — com Haddad e Tarcísio trocando farpas, ambos de olho no cenário de 2026.

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