
Lula e Modi debatem tarifas de Trump e reforçam aposta no multilateralismo
Presidente brasileiro e primeiro-ministro indiano conversam por cerca de uma hora e reforçam interesse em ampliar comércio bilateral e cooperação entre Brasil e Índia
Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma conversa por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O diálogo aconteceu um dia depois dos Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, aplicarem uma tarifa extra de 25% sobre produtos indianos, elevando a sobretaxa para 50% — o mesmo patamar da sanção imposta ao Brasil. Durante cerca de uma hora, os dois líderes falaram sobre essas tarifas e defenderam a importância do multilateralismo para enfrentar os desafios econômicos globais.
Segundo o governo brasileiro, Lula e Modi ressaltaram a necessidade de resistir a medidas unilaterais que prejudicam o comércio internacional e enfatizaram a vontade de fortalecer a integração entre Brasil e Índia. Também confirmaram o compromisso de ampliar o comércio bilateral para mais de US$ 20 bilhões até 2030, inclusive ampliando a abrangência do acordo entre Mercosul e Índia.
Lula ainda anunciou que pretende visitar a Índia no começo do próximo ano. Para preparar essa viagem, o vice-presidente Geraldo Alckmin viajará à Índia em outubro para participar de uma reunião do Mecanismo de Monitoramento de Comércio. A comitiva brasileira contará com ministros e empresários para discutir cooperação em áreas como comércio, defesa, energia, minerais estratégicos, saúde e inclusão digital.
Além do tema comercial, os presidentes também trocaram informações sobre os sistemas de pagamento eletrônico do Brasil e da Índia, como o Pix e o UPI indiano.
Enquanto isso, Modi se prepara para sua primeira visita à China em mais de sete anos, o que pode indicar uma mudança nas alianças diplomáticas diante das tensões com os EUA. Ele participará da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, em Tianjin, e terá reunião bilateral com o presidente chinês Xi Jinping.
O momento é delicado para Brasil e Índia, que, junto com China e Rússia, formam o grupo dos Brics — alvo das pressões americanas. Trump tem criticado a Índia especialmente pelas compras de energia feitas da Rússia, acusando o país de fortalecer a máquina de guerra de Putin e dificultar o fim do conflito na Ucrânia.
No fim, a conversa entre Lula e Modi reforça que esses países buscam, juntos, resistir a políticas protecionistas e apostar na cooperação internacional como caminho para superar as dificuldades impostas pelas tarifas e tensões globais.