
Lula e Trump se preparam para o “cara a cara” na Malásia em busca de trégua no tarifaço
Presidente brasileiro tenta aliviar a sobretaxa de 50% sobre produtos nacionais, enquanto Trump condiciona qualquer avanço às “circunstâncias corretas”. Encontro acontece à margem da cúpula asiática.
O clima de expectativa é grande em Kuala Lumpur. Lula e Donald Trump devem se encontrar neste domingo (26) na Malásia, durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático, para tentar um acordo sobre o tarifaço de 50% imposto aos produtos brasileiros.
O próprio Trump confirmou o encontro neste sábado (25), em conversa com jornalistas. Sempre com seu estilo direto, o presidente americano afirmou que só aceitará reduzir as tarifas se as “condições forem adequadas”, mantendo o tom firme que tem marcado sua política comercial.
Já Lula adotou um discurso mais conciliador. Antes de participar de uma cerimônia na Universidade Nacional da Malásia, o presidente brasileiro disse estar “aberto ao diálogo” e confiante em uma saída negociada:
“Eu espero que o encontro aconteça. Vim com disposição para encontrar uma solução”, declarou.
O petista também negou que Trump tenha imposto qualquer condição prévia à reunião:
“Não tem exigência dele e não tem exigência minha ainda. Vamos colocar tudo na mesa e buscar uma solução”, afirmou.
O encontro promete ir além do comércio. Sanções aplicadas por Washington a autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do programa Mais Médicos, também devem entrar na pauta — um tema sensível que mistura diplomacia, economia e política interna.
Essa será a segunda vez que Lula e Trump se encontram pessoalmente desde a rápida conversa na Assembleia da ONU, em Nova York. Na ocasião, os dois trocaram gestos cordiais, mas ficou claro que a relação entre Brasil e EUA ainda precisa de reconstrução após anos de desencontros diplomáticos.
Nos bastidores, o governo brasileiro vê o encontro como uma oportunidade de distensão, enquanto Trump enxerga nele um teste de poder e pragmatismo comercial.
Em meio à disputa por tarifas e influência, o encontro na Malásia tem tudo para ser mais do que uma conversa protocolar — pode definir se a relação entre Lula e Trump será marcada por cooperação ou confronto.