
Lula em Pré-Campanha Disfarçada de Conferência: Peça Seus Votos e Ataca a Direita
Durante evento de assistência social, presidente já orienta eleitores a escolher aliados no Congresso e critica adversários como “raposas no galinheiro”
Nesta segunda-feira (8/12), durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social (CNAS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a ocasião para, discretamente, dar início à sua pré-campanha eleitoral. Entre elogios ao governo e discursos sobre políticas sociais, o presidente foi claro: o eleitor deve votar em deputados, senadores e governadores amigos do Planalto para garantir uma governabilidade “tranquila” em 2026.
E, é claro, não faltou a crítica à oposição e ao bolsonarismo. Com sua metáfora favorita, disse que “nunca deu certo botar raposa no galinheiro. Por mais que ela pareça mansa, o resultado será que vai comer todas as galinhas do galinheiro”, alfinetando a extrema-direita e jogando para a plateia a ideia de que somente aliados fiéis podem salvar o país de experiências “desastrosas”.
Governo cansado, mas ele não?
Lula afirmou que o país está “cansado de experiências” que teriam levado ao negacionismo e à destruição de ministérios e políticas públicas. Ao mesmo tempo, não perde tempo em usar o microfone do evento para pedir voto e escolher quem deve estar no Congresso.
A ironia é evidente: enquanto critica a “desordem” da oposição, sua própria pré-campanha é uma tentativa explícita de moldar o Legislativo para favorecer o Palácio do Planalto. A governabilidade, segundo ele, depende da “qualidade” dos eleitos — mas será que não deveria depender também de articulação política e responsabilidade do governo com as políticas que já estão em andamento?
Enquanto isso, a política real continua travada
Desde que assumiu a presidência, o governo enfrenta dificuldades com um Congresso de maioria hostil, o que se reflete, por exemplo, na resistência do Senado à aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF. Episódios como este mostram que o Palácio do Planalto continua mais preocupado em moldar as eleições futuras do que em governar com eficiência agora.
O discurso de Lula na CNAS, portanto, mais parece uma aula de pré-campanha camuflada do que uma reflexão sobre assistência social. Entre metáforas e ataques à direita, os brasileiros recebem o recado claro: 2026 já começou para o Planalto.