Comunidade judaica reage ao silêncio de Lula e recebe apoio de governadores

Comunidade judaica reage ao silêncio de Lula e recebe apoio de governadores

Saída do Brasil da aliança internacional sobre o Holocausto amplia atritos diplomáticos e gera mobilização dentro do país

A crise entre Brasil e Israel ganhou força após o governo Lula decidir retirar o país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), gesto interpretado como um afastamento do compromisso no combate ao antissemitismo. A medida provocou críticas duras de autoridades israelenses e mobilizou a comunidade judaica no Brasil, que passou a organizar eventos e recebeu respaldo de governadores.

Em 26 de agosto, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, publicou em português que Lula seria um “antissemita declarado e apoiador do Hamas”, associando-o ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em montagem feita por inteligência artificial. O Itamaraty reagiu chamando as declarações de “ofensas e grosserias inaceitáveis”, justificando a saída da IHRA como uma forma de impedir que críticas às políticas de Israel fossem confundidas com antissemitismo.

Enquanto o Planalto se distanciava, governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Eduardo Leite (RS) aderiram oficialmente à definição da IHRA, destacando a necessidade de enfrentar o avanço do ódio e da intolerância. Hoje, 12 estados já reconhecem a aliança como referência.

Os números preocupam: denúncias de antissemitismo no Brasil cresceram quase 600% desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em outubro de 2023. Organizações como a StandWithUs acusam Lula de romper com a tradição diplomática brasileira, lembrando episódios polêmicos, como quando o presidente comparou a ofensiva de Israel em Gaza ao nazismo.

O clima de atrito se intensificou com a visita ao Brasil de Rafael Rozenszajn, ex-porta-voz das Forças de Defesa de Israel, que lançou o livro A Guerra das Narrativas. Para ele, a desinformação alimenta a hostilidade contra os judeus no país, que, proporcionalmente, registrou o maior crescimento de manifestações antissemitas no mundo após os ataques de 7 de outubro.

A combinação de declarações duras, mobilização social e apoio de líderes regionais mostra que a crise vai além da diplomacia: trata-se de uma disputa que atinge também a vida cotidiana da comunidade judaica no Brasil.

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