
Lula mira 2026, resgata Dirceu e promete “limite” na briga com Trump
Em encontro do PT, presidente defende alianças, cobra autocrítica interna, ironiza Eduardo Bolsonaro e promete disputar um quarto mandato para barrar a extrema-direita.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores, neste domingo (3), para mandar recados dentro e fora do Brasil. Sobre a tensão com Donald Trump e o “tarifaço” americano, disse que tem um “limite” para o embate:
“Não posso falar tudo o que penso. Falo o que é possível e necessário”, afirmou, acusando o ex-presidente dos EUA de tentar “acabar com o multilateralismo” e de ultrapassar todos os limites.
Lula reforçou que quer respeito ao Brasil:
“Não somos republiqueta. Não vamos aceitar que questões políticas sejam usadas para nos taxar economicamente.”
No palco, o clima foi de união interna — e também de início de campanha para 2026. Lula disse que o PT precisa “corrigir erros” e lembrou que, nas últimas eleições, elegeu menos de 70 deputados federais. “Se fôssemos tão bons quanto pensamos, teríamos eleito 140 ou 150”, ironizou.
Não faltaram alfinetadas. Lula citou indiretamente Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que primeiro admitiu ter influência na proposta de tarifaço de Trump e depois recuou:
“O cara que fazia propaganda abraçado na bandeira nacional agora está nos EUA defendendo taxação para tentar anistiar o pai.”
O evento também marcou a volta de figuras históricas do PT à cena nacional. José Dirceu, ovacionado pela militância como “guerreiro do povo brasileiro”, reassume lugar no diretório nacional e prepara candidatura à Câmara em 2026. Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, também foi celebrado.
O novo presidente da sigla, Edinho Silva, reforçou o discurso contra Trump, chamando-o de “maior líder fascista da atualidade” e defendendo que o PT já comece a se preparar para o pós-Lula.
“Essa é a eleição mais importante da nossa vida. Precisamos pensar no dia em que Lula não estiver mais disputando”, disse.
O partido também sinalizou novas estratégias: quer retomar o uso das cores verde e amarelo como símbolos nacionais, hoje associados à militância bolsonarista, e intensificar a campanha por “justiça tributária” com foco na “taxação BBB” — bilionários, bancos e sites de apostas.
No encerramento, Lula resumiu a missão do partido até 2026:
“Nunca mais vamos permitir que um extremista de direita com cabeça fascista volte a governar este país. Se não estão contentes com três mandatos, se preparem: pode ter o quarto.”