Lula, Motta e Alcolumbre traçam estratégias enquanto oposição se agarra à anistia

Lula, Motta e Alcolumbre traçam estratégias enquanto oposição se agarra à anistia

Após condenação de Bolsonaro, governo foca em pautas econômicas e Congresso mantém cautela diante da pressão da base bolsonarista

No Palácio do Planalto, o presidente Lula se movimenta para encontrar espaços que permitam avançar com a agenda do governo, enquanto Hugo Motta (presidente da Câmara) e David Alcolumbre (presidente do Senado) mantêm cautela após a condenação de Jair Bolsonaro. A oposição, por sua vez, busca forças para impulsionar um projeto de anistia, incluindo o ex-presidente e outros condenados por tentativa de golpe em 2022.

Apesar da pressão, Motta resiste a pautar a anistia. Ele esteve no Planalto durante a sanção da Carteira Nacional Docente, em um gesto que demonstra proximidade com o governo, mas sem abrir mão de sua postura diante da bancada bolsonarista, que pode levar o tema ao plenário.

Lula, Motta e Alcolumbre preferiram não comentar publicamente o resultado do julgamento nesta quinta-feira (11), enquanto estudam os próximos passos. A cautela dos chefes do Congresso reflete a necessidade de manter diálogo com a oposição, que teve papel importante na eleição deles para os cargos atuais.

O silêncio inicial do presidente se deve à estratégia de evitar qualquer gesto que possa ser interpretado como politização do julgamento. Nos próximos dias, Lula deve se pronunciar de forma mais clara, mas, neste momento, a prioridade do governo é aprovar pautas econômicas, como a isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais.

Antes do julgamento, em entrevista à Jornal da Band, Lula foi enfático sobre o voto divergente do ministro Luiz Fux. “Bolsonaro tentou dar um golpe neste país. São dezenas, centenas de provas, atos, discursos, documentos. Se o ministro Fux não quis ver as provas, é problema dele. As evidências são claras”, afirmou.

No Planalto, a ministra Gleisi Hoffmann destacou a importância histórica da condenação: “Foram condenados no devido processo legal, mediante provas contundentes. É uma decisão sem precedentes, para que nunca mais se ouse atacar o estado de direito ou a vontade do povo expressa nas urnas”.

Com a sentença de 27 anos e 3 meses de prisão, Bolsonaro fica sem perspectivas de retornar ao poder, e seus aliados apostam na anistia como único caminho para reverter a situação. Alcolumbre, por sua vez, tem sugerido trabalhar em uma proposta de redução de penas para participantes dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, mas sem contemplar Bolsonaro, outros líderes da trama ou empresários que financiaram os ataques.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, reafirmou que só aceitará uma versão do projeto que inclua perdão ao ex-presidente. Em postagem nas redes sociais, ele chamou o julgamento de “espetáculo armado” e defendeu que a anistia é o caminho para “resgatar o Brasil, promover reconciliação e paz”.

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