
Lula prega justiça tributária, mas escapou de pagar R$ 18 milhões em impostos com aval do STF
Enquanto defende taxar os mais ricos, presidente teve dívida fiscal suspensa, expondo o abismo entre o discurso político e a prática do poder
O discurso é bonito: falar em justiça social, em cobrar dos super-ricos, em redistribuir a riqueza. Mas quando a cortina se abre e o povo enxerga os bastidores, a narrativa se desmonta. O presidente Lula, que vive repetindo que os mais ricos precisam pagar mais impostos para financiar programas sociais, teve uma cobrança de R$ 18 milhões suspensa — não por pagamento, mas por decisão judicial. O Supremo Tribunal Federal deu o alívio.
A cena soa familiar: um líder que defende o aperto para uns, mas se beneficia de folgas concedidas por outros. Não se trata de legalidade — que pode ser debatida nos tribunais — mas de coerência. Como convencer o cidadão comum, que paga imposto até no pacote de arroz, de que há justiça tributária quando o próprio presidente consegue escapar de uma dívida milionária?
É uma contradição gritante. O brasileiro assalariado não tem para onde correr: é descontado na fonte, paga caro por tudo, e ainda escuta sermões sobre responsabilidade fiscal. Enquanto isso, Lula — símbolo de um governo que se diz popular — usa das engrenagens do sistema para se esquivar de uma cobrança fiscal robusta, bem no momento em que tenta emplacar no Congresso a taxação de fundos exclusivos e offshores.
A pergunta que não cala é: como exigir sacrifício de quem tem pouco, se quem tem muito e está no topo da estrutura pública escapa ileso? Essa disparidade não é só moralmente questionável, é um golpe direto na confiança da população. Fica claro que há dois Brasis — o que paga e o que manobra.
Lula, que um dia representou o operário que chegou ao poder, agora parece distante do trabalhador que mal consegue respirar sob o peso dos impostos. Quando o exemplo não vem de cima, qualquer discurso sobre justiça social vira teatro. E o povo, de novo, assiste do camarote mais caro: aquele onde o ingresso é pago com suor e boleto vencido.