
Lula Pressiona Aliados para Barrar Redução de Pena de Bolsonaro — O Ex-Condenado que Não Aceita Ver o Rival Respirar
Num gesto que soa mais como revanchismo do que como preocupação institucional, Lula cobra ministros, deputados e senadores para impedirem que Bolsonaro — seu desafeto político — receba qualquer alívio de pena, mesmo que aprovado pelo Congresso.
O governo Lula entrou em modo de alerta. Bastou a Câmara aprovar o projeto de dosimetria, que prevê a redução de penas para condenados nos processos relacionados ao 8 de Janeiro, inclusive Jair Bolsonaro, para Lula reagir como quem vê seu maior inimigo ganhar um copo d’água no deserto.
De acordo com assessores próximos, o presidente passou o dia cobrando ministros e parlamentares aliados para se manifestarem publicamente contra a proposta. Em conversas reservadas, Lula teria classificado a aprovação como um “absurdo”, como se o absurdo não tivesse sido justamente a postura de um presidente que age para prejudicar um rival político mesmo depois de ter voltado ao poder.
Nos bastidores do Planalto, o recado é direto: se o texto também passar no Senado, o governo vai trabalhar para vetar qualquer benefício que chegue perto de Bolsonaro e do núcleo principal dos investigados. O veto seria, nas palavras de assessores, uma tentativa de impedir “privilégios”, ainda que o próprio Congresso tenha aprovado democraticamente o projeto.
A proposta reduz a pena de Bolsonaro de 27 anos para 22, o que poderia antecipar sua saída do regime fechado em cerca de três anos. E é justamente isso que parece tirar o sono de Lula — o fato de seu maior adversário político poder ganhar algum fôlego político antes de 2026.
Dentro do governo, há uma divisão crescente. Alguns aliados, como Jaques Wagner, defendem que condenados de menor participação — os que não planejaram golpe algum — possam receber os benefícios. Mas ninguém aposta que Lula vá permitir isso. Ele parece decidido a manter sua cruzada pessoal, ainda que ao custo de tensionar a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
O Planalto teme também a interpretação de que, se o presidente não vetar, estaria interferindo diretamente no Judiciário. Mas o curioso é que esse argumento aparece apenas quando o tema envolve Bolsonaro. Para outros casos, a flexibilidade sempre existiu. Para este, não.
Enquanto isso, o Centrão se movimenta. Muito do empenho em aprovar o projeto veio como resposta ao lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência — uma forma de acenar ao bolsonarismo sem dizer isso abertamente. O bloco sabe que vai precisar do apoio do ex-presidente nos estados em 2026, e entregar uma redução de pena é um gesto político de alto valor eleitoral.
No Senado, a previsão é que o texto avance se houver acordo com Davi Alcolumbre. E mesmo que seja aprovado neste ano, Lula pode empurrar a decisão para janeiro, usando o recesso como almofada política. Ainda assim, tudo indica que ele pretende vetar o que puder — uma postura que, para muitos, mais revela rancor do que responsabilidade institucional.
No fim das contas, o que se vê é um presidente que, mesmo depois de tudo, ainda age como quem está em plena campanha contra Jair Bolsonaro. Um ex-condenado que insiste em dar demonstrações de que não tolera ver seu adversário respirar politicamente — nem mesmo quando a decisão parte do Congresso Nacional.