
Lula reforça prioridade nas relações sul-americanas e aposta em comércio com o Equador
Durante visita oficial de Daniel Noboa, presidente brasileiro defende abertura do mercado para bananas equatorianas e amplia cooperação em segurança e tecnologia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, nesta segunda-feira (18), a importância de estreitar os laços comerciais e políticos com os países da América do Sul, dando ênfase especial ao Equador.
Em encontro oficial com o presidente equatoriano, Daniel Noboa, em Brasília, Lula reforçou que diversificar parcerias é a melhor forma de garantir a autonomia do Brasil em um cenário global marcado por rivalidades acirradas e fragilização de instituições multilaterais.
“Para o Brasil, autonomia significa diversificação de parcerias. Os vínculos com o Equador e com nossos vizinhos sul-americanos são prioridades”, afirmou Lula à imprensa após o encontro.
Entre os principais pontos da agenda, Lula anunciou que o Brasil retomará a importação de bananas do Equador, decisão que segue determinação judicial. Desde 1997, restrições comerciais têm limitado a entrada do produto equatoriano, e conflitos sobre o tema chegaram à Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Queremos um comércio mais equilibrado e reduzir barreiras a produtos equatorianos. Vamos começar com a banana desidratada e, até o final do ano, concluir a análise de risco para a banana in natura”, disse o presidente.
Lula também ressaltou que espera reciprocidade por parte do Equador em relação a produtos de interesse brasileiro, como a carne suína, e destacou a importância de atualizar o acordo entre Mercosul e o país vizinho. Segundo ele, o recente pacto de cooperação e facilitação de investimentos fortalece a segurança jurídica para negócios bilaterais.
Em 2024, o comércio entre Brasil e Equador alcançou US$ 1,1 bilhão, com exportações brasileiras de aproximadamente US$ 970 milhões, incluindo veículos, máquinas, medicamentos e produtos de papel e celulose.
Cooperação em segurança e tecnologia
Além do comércio, Lula enfatizou a necessidade de estreitar a cooperação na luta contra o crime organizado, especialmente na região amazônica. Entre as ações previstas estão a reabertura da adidância da Polícia Federal em Quito e treinamentos conjuntos em investigação de crimes financeiros.
O presidente também defendeu a regulação das redes digitais e a responsabilização das grandes empresas de tecnologia. Segundo ele, sem regras claras, as plataformas se tornam um espaço de impunidade, ameaçando a democracia e expondo crianças e adolescentes à exploração sexual.
Avanços concretos
Durante a visita oficial, foram assinados acordos nas áreas de segurança alimentar, inteligência artificial e agricultura familiar. Entre eles, destaca-se a cooperação técnica para combater a fome, o memorando para fortalecer a pesquisa e capacitação em inteligência artificial, e ações voltadas à sustentabilidade na agricultura familiar e à redução de perdas de alimentos.
O encontro no Palácio do Planalto foi encerrado com um almoço no Palácio Itamaraty, reunindo Noboa e outras autoridades para consolidar o estreitamento das relações bilaterais.