
Lula relembra cirurgia na cabeça e anuncia primeiro hospital do SUS com uso de inteligência artificial
Presidente cita dificuldades no atendimento médico e defende expansão de hospitais inteligentes em todo o país
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relembrou, nesta quarta-feira (7), a cirurgia na cabeça a que foi submetido no fim de 2024 ao anunciar a construção do primeiro hospital inteligente do SUS (Sistema Único de Saúde). A nova unidade, que contará com recursos de inteligência artificial para acelerar diagnósticos e tratamentos, será instalada em São Paulo.
Durante o discurso, Lula recordou o episódio em que passou mal após uma queda e precisou de atendimento médico. Mesmo sendo atendido em um dos melhores hospitais de Brasília, acabou transferido para São Paulo para realizar a cirurgia. Segundo ele, a situação foi agravada pela indisponibilidade do avião presidencial, o que o obrigou a aguardar cerca de três horas para viajar, além de mais uma hora e meia de voo até a capital paulista.
“Se isso aconteceu com o presidente da República, imagina o sofrimento do povo mais pobre”, afirmou Lula, ao defender que hospitais com tecnologia avançada sejam implantados em todos os estados. Em tom descontraído, disse ainda esperar que Brasília também receba estruturas mais modernas na área da saúde.
O presidente contou que, ao chegar a São Paulo, parte da equipe médica demonstrava preocupação extrema com seu estado de saúde. “Dois dos médicos estavam chorando, achando que eu poderia ter entrado em coma durante o voo”, relatou. Na ocasião, Lula passou por uma craniotomia após ser identificado um hematoma intracraniano provocado pela queda no banheiro.
Este foi o primeiro evento público do presidente em 2026 e contou com a presença de ministros e autoridades, como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; o vice-presidente Geraldo Alckmin; e a presidente do Banco do Brics, Dilma Rousseff.
Ao longo do discurso, Lula cobrou agilidade na construção do novo hospital e reforçou o papel do SUS para a população mais vulnerável. “Quem tem dinheiro pega um avião e se trata em qualquer lugar do mundo. O povo humilde não tem isso. Depois de nós, ele só tem o SUS”, destacou.
Durante o evento, foi assinado um contrato no valor de R$ 1,7 bilhão com o Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco do Brics, para viabilizar a construção do primeiro hospital público inteligente do Brasil. A unidade fará parte de uma rede integrada de hospitais e serviços inteligentes, com 14 UTIs automatizadas interligadas em diferentes estados.
A expectativa do governo é que a obra seja concluída em aproximadamente três anos, marcando um novo passo na modernização do sistema público de saúde e no uso da tecnologia para ampliar o acesso e a qualidade do atendimento médico no país.