Lula retorna a SP sob críticas de Tarcísio e vê clima mais ameno para o governo

Lula retorna a SP sob críticas de Tarcísio e vê clima mais ameno para o governo

Presidente escolhe Osasco para anunciar obras em comunidades carentes, enquanto o Planalto respira aliviado com sinais de recuperação na imagem do governo em meio à ofensiva política de Tarcísio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a São Paulo nesta sexta-feira (25/7), pela oitava vez no ano, mas desta vez com um cenário diferente. Desde sua última visita, há um mês, ele passou a ser o principal alvo dos discursos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ao mesmo tempo, pesquisas mostram uma leve recuperação na popularidade do governo, trazendo algum alívio ao Planalto.

Lula vai até Osasco, na região metropolitana, para anunciar três obras em comunidades periféricas. Entre os locais visitados está o Jardim Rochdale, conhecido por seus recorrentes alagamentos e agora beneficiado pelo programa “Periferia Viva”, do Novo PAC. O presidente também vai anunciar intervenções nas favelas da 13 e do Limite.

Inicialmente, a agenda previa uma visita a Santos, mas o próprio presidente optou por Osasco por considerar a cidade mais simbólica para o momento político e social. A mudança de planos foi decidida dois dias antes da viagem.

A comitiva contará com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Jader Filho (Cidades).

Conflito velado com Tarcísio

Lula volta ao estado em meio a uma movimentação intensa de pré-candidatos às eleições de 2026. Tarcísio de Freitas, visto como potencial nome da direita, intensificou os ataques a Lula e ao PT. Na última vez em que esteve em São Paulo, o presidente visitou a Favela do Moinho, região central da capital, onde se posicionou contra a tentativa do governo estadual de remover famílias para a construção de um parque.

Poucos dias depois, Tarcísio subiu em palanque com Jair Bolsonaro (PL), na Avenida Paulista, em ato intitulado “Justiça Já”. No evento, preferiu deixar de lado o STF e mirou diretamente no petista: “O Brasil não aguenta mais o PT”, disparou.

Apesar disso, Lula tem sido orientado por aliados a evitar confrontos diretos com o governador, que ainda é pouco conhecido fora de São Paulo — um embate público com o presidente poderia acabar projetando Tarcísio no cenário nacional.

O governador, inclusive, não comparecerá ao evento em Osasco. Segundo sua equipe, ele cumprirá compromissos em Sorocaba. Já o prefeito de Osasco, Gerson Pessoa (Podemos), aliado de Tarcísio, confirmou presença ao lado de Lula.

Turnê paulista

Ao longo do ano, Lula tem intensificado sua presença em São Paulo, sempre conciliando agendas políticas e simbólicas. Ele já passou por Sorocaba, Santos, Cajamar e pela capital em diversas ocasiões. A visita atual reforça a tentativa de manter presença constante em um estado historicamente mais resistente ao PT.

Clima mais favorável ao Planalto

Embora a desaprovação de Lula continue elevada, os petistas veem um sinal positivo: a pesquisa Ipespe divulgada recentemente aponta uma queda de três pontos na rejeição ao governo, que passou de 54% para 51%.

Aliados atribuem parte dessa melhora à reação de Lula às ameaças comerciais feitas por Donald Trump, que prometeu taxar em até 50% produtos brasileiros. O episódio teria despertado um sentimento de defesa nacional entre parte da população.

“Quando o Brasil é atacado, a tendência é o povo se unir. Isso sempre gera uma melhora na percepção do governo”, analisa o deputado estadual Emídio de Souza (PT), um dos organizadores do evento em Osasco.

Segundo ele, a pauta externa — especialmente a taxação de Trump — ajudou a ofuscar as crises internas recentes, como o escândalo do INSS e o aumento do IOF. “O debate mudou, e com isso o ambiente melhorou”, afirmou.

Contexto

Ainda neste ano, Lula já criticava as políticas de Trump em eventos com ministros como Fernando Haddad e Márcio França. Agora, com o tom mais duro vindo diretamente do ex-presidente americano, o Planalto tenta capitalizar politicamente a narrativa de que o Brasil está sob ataque estrangeiro — e que Lula é quem o defende.

Mesmo sob fogo cruzado, o presidente volta ao maior colégio eleitoral do país tentando se mostrar ativo, presente e alinhado com as demandas das periferias. E, ao que tudo indica, em um momento um pouco menos turbulento que os anteriores.

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