LULA SE AFASTA DE MORAES EM MEIO À CRISE NO STF, MAS VOLTA A DEFENDER SUA ATUAÇÃO: “QUEM COMETEU DELITO TEM QUE PAGAR”

LULA SE AFASTA DE MORAES EM MEIO À CRISE NO STF, MAS VOLTA A DEFENDER SUA ATUAÇÃO: “QUEM COMETEU DELITO TEM QUE PAGAR”

Subtítulo: Presidente afirma que não é responsável pela indicação de Alexandre de Moraes e defende a punição de eventuais culpados. Em meio aos questionamentos sobre o Supremo e ao embate com a família Bolsonaro, Lula tenta delimitar sua responsabilidade política, sem abandonar os elogios ao ministro.

Lula tenta se distanciar de Moraes e coloca a responsabilidade nas indicações de governos anteriores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. Em declarações divulgadas nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026), Lula afirmou que não era presidente quando Moraes foi indicado à Corte e defendeu que qualquer pessoa que tenha cometido um delito seja responsabilizada.

A manifestação ocorre em meio à repercussão do caso Banco Master e aos questionamentos sobre relações entre autoridades e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio também ganhou dimensão eleitoral, com adversários de Lula explorando politicamente o desgaste do Supremo.

Ao afirmar que não é responsável pela indicação de Moraes, o presidente procura separar sua trajetória política da escolha do ministro. Moraes foi indicado em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB), quando Lula não ocupava a Presidência da República.

“Quem cometeu delito tem que pagar”: a fala que Lula coloca em destaque

Lula defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas e que a responsabilização alcance qualquer pessoa que tenha cometido um delito, inclusive integrantes do Judiciário.

A declaração reforça um princípio importante: autoridades públicas não devem estar acima da lei. Entretanto, a aplicação desse princípio exige que suspeitas sejam investigadas com imparcialidade e que a responsabilização ocorra com base em provas e respeito ao direito de defesa.

O presidente também criticou a divulgação de informações relacionadas ao caso Banco Master e questionou a atuação do ministro André Mendonça. Ao mesmo tempo, cobrou transparência e defendeu que os fatos sejam esclarecidos.

O distanciamento de Lula: não indicou Moraes, mas reconhece sua atuação

A postura do presidente contém uma distinção política relevante. Lula afirma que não foi responsável pela indicação de Alexandre de Moraes, mas já reconheceu publicamente a atuação do ministro em episódios relacionados à democracia, especialmente durante as eleições de 2022 e nos processos sobre os atos de 8 de janeiro de 2023.

Em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula também voltou a relacionar as críticas de Flávio Bolsonaro a Moraes às decisões judiciais contra Jair Bolsonaro.

Assim, o presidente tenta se afastar da responsabilidade pela escolha do ministro, sem necessariamente romper com a defesa de sua atuação institucional.

Crítica e ironia: Lula descobriu que a indicação não era dele — mas os elogios continuam

A declaração abre espaço para uma ironia política: quando o assunto é a indicação de Alexandre de Moraes, Lula lembra que não era presidente; quando o tema é a atuação do ministro em defesa da democracia, faz questão de reconhecer seus serviços.

É uma distinção legítima do ponto de vista factual, mas que não encerra o debate sobre a relação política entre o governo e o Supremo.

A ironia está no contraste: Lula procura se distanciar da origem da indicação, mas não se distancia completamente do legado que atribui ao ministro. A questão que permanece é como o presidente pretende conciliar seus elogios a Moraes com a defesa de uma investigação transparente e independente.

A crítica não significa afirmar que Lula tenha responsabilidade pela indicação de 2017 ou que Moraes tenha cometido algum delito. Significa cobrar coerência, clareza e o mesmo padrão de responsabilização para todos.

Partes envolvidas

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): presidente da República, que afirma não ser responsável pela indicação de Moraes e defende a punição de quem cometeu delitos.
  • Alexandre de Moraes: ministro do STF, indicado em 2017 por Michel Temer e alvo de questionamentos no contexto da crise do Banco Master.
  • André Mendonça: ministro do STF cuja atuação na condução do caso foi criticada por Lula.
  • Michel Temer (MDB): ex-presidente responsável pela indicação de Moraes ao Supremo.
  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ): senador e adversário político de Lula, que tem explorado a crise institucional em suas críticas ao governo.
  • Jair Bolsonaro (PL): ex-presidente, pai de Flávio, cujos processos judiciais são mencionados no confronto político.
  • Daniel Vorcaro: ex-banqueiro do Banco Master, citado nas controvérsias que motivaram questionamentos sobre relações com autoridades.

O que está resolvido e o que ainda precisa ser esclarecido

Fatos estabelecidos:

  • Lula não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado ao STF.
  • A indicação foi feita por Michel Temer, em 2017.
  • Lula defendeu que eventuais delitos sejam investigados e punidos.
  • O presidente já elogiou a atuação de Moraes em episódios relacionados à democracia.

Questões ainda em aberto:

  • Os esclarecimentos completos sobre as relações mencionadas no caso Banco Master.
  • O resultado das apurações sobre eventuais irregularidades atribuídas aos envolvidos.
  • A extensão das responsabilidades individuais, caso sejam comprovadas condutas ilícitas.
  • Os desdobramentos institucionais e políticos da crise no Supremo.

Conclusão: a lei acima de todos, inclusive dos aliados

Lula tenta se distanciar da indicação de Alexandre de Moraes e afirma que qualquer pessoa que tenha cometido delito deve pagar. A declaração estabelece uma posição pública de responsabilização, mas não encerra os questionamentos sobre a crise no STF.

O presidente pode lembrar que não escolheu Moraes e, ao mesmo tempo, reconhecer sua atuação. O que não pode ser substituído por discursos, elogios ou ataques eleitorais é a necessidade de esclarecer os fatos.

A cobrança deve ser a mesma para todos: investigação imparcial, transparência, provas e respeito ao devido processo legal. Se a lei deve estar acima de tudo, esse princípio precisa valer independentemente de partido, cargo ou proximidade política.

Equipe Não Calo Notícias
Buscamos sempre a verdade e transparência.

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