
Lula se esquiva e deixa nas mãos de Alcolumbre criação do Dia da Amizade Brasil-Israel
Sem sancionar nem vetar, presidente evita se envolver em projeto polêmico; senador judeu deve promulgar lei até quarta-feira
Quase um mês após a aprovação pelo Senado do projeto que institui o “Dia de Celebração da Amizade Brasil-Israel”, o presidente Lula preferiu se manter distante do tema: optou por não sancionar nem vetar a proposta. Com isso, o prazo legal expirou e a medida será promulgada automaticamente — o que, pela legislação, ficará a cargo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A decisão de Lula de não interferir diretamente ocorre num contexto delicado: a guerra em Gaza e as críticas feitas por ele ao governo israelense, que o petista já acusou de promover um genocídio contra os palestinos. Nos bastidores, integrantes do PT defendiam justamente esse caminho — a chamada sanção tácita — como forma de evitar que Lula deixasse sua assinatura política em um gesto que poderia ser interpretado como alinhamento ao governo de Israel.
Aprovado simbolicamente no dia 20 de maio, com apoio inclusive de senadores do PT, o projeto passou sem grandes embates no plenário. No entanto, um eventual veto presidencial poderia alimentar ainda mais a tensão política, algo que o Planalto quis evitar.
Agora, o protagonismo ficará com Alcolumbre, senador judeu do Amapá, que foi homenageado em março com um jantar na Embaixada de Israel, em Brasília. A expectativa é que ele oficialize a nova data comemorativa até esta quarta-feira.
Procurada, a Presidência da República manteve o silêncio nos últimos dias sobre o assunto, apesar dos reiterados questionamentos da imprensa.