
Lula se reúne com centrais sindicais para discutir fim da escala 6×1 no Brasil
Encontro no Planalto ocorre após envio de projeto ao Congresso e busca apoio para mudança na jornada de trabalho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, nesta quarta-feira (15), lideranças das principais centrais sindicais no Palácio do Planalto para discutir propostas ligadas ao mercado de trabalho, com destaque para o projeto que prevê o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um.
Participam da reunião representantes de organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a Força Sindical. O encontro ocorre um dia após o envio da proposta ao Congresso Nacional com pedido de urgência.
A intenção do governo é acelerar a tramitação da matéria e alinhar apoio político e social à iniciativa, considerada uma das principais pautas trabalhistas da atual gestão. A proposta prevê a redução da jornada sem diminuição de salários, sob o argumento de que ganhos de produtividade podem compensar a mudança.
Nos bastidores, o movimento também é interpretado como parte de uma estratégia de articulação política em um momento sensível, marcado por debates sobre economia, emprego e condições de trabalho no país.
A reunião acontece após conversas entre o Executivo e o presidente da Câmara, Hugo Motta, além de integrantes da base governista, como José Guimarães e Paulo Pimenta, que discutem o formato de tramitação da proposta no Legislativo.
Atualmente, já existe uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em análise na Câmara sobre o mesmo tema, o que pode gerar sobreposição de iniciativas e ampliar o debate entre diferentes setores.
A proposta de mudança na jornada de trabalho tem forte apelo entre trabalhadores, mas enfrenta resistência de representantes do setor produtivo, que alertam para possíveis impactos nos custos operacionais e na dinâmica das empresas.
O debate sobre a escala 6×1, comum em áreas como comércio e serviços, deve ganhar intensidade nas próximas semanas, à medida que o Congresso analisa as alternativas e busca um equilíbrio entre interesses econômicos e demandas sociais.