
Lula sugere inclusão de palestinos em Conselho da Paz proposto por Trump
Presidente brasileiro defende foco em Gaza e participação da Autoridade Palestina em conversa com líder dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o chamado Conselho da Paz, proposto pelo governo norte-americano, seja restrito à situação da Faixa de Gaza e conte com a presença de um representante da Autoridade Palestina. A proposta foi apresentada durante um telefonema entre os dois líderes nesta segunda-feira, segundo informou o Palácio do Planalto.
De acordo com o governo brasileiro, as ponderações feitas por Lula não significam uma adesão automática do Brasil ao conselho. A participação do país dependerá da resposta dos Estados Unidos às sugestões apresentadas. Uma fonte do Planalto avalia que Washington dificilmente aceitará a inclusão de representantes palestinos, o que pode levar o Brasil a recusar o convite de forma diplomática.
No governo brasileiro, há desconforto com a percepção de que a iniciativa americana possa esvaziar o papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Integrantes do Planalto lembram que a própria ONU aprovou a criação de um conselho para tratar da situação em Gaza após o cessar-fogo, com participação palestina e dentro das regras multilaterais da organização.
Durante a conversa, Lula também voltou a defender uma reforma ampla da ONU, especialmente do Conselho de Segurança, com ampliação do número de membros permanentes. Essa reivindicação é antiga do Brasil e ganhou força diante das dificuldades da entidade em lidar com conflitos atuais, como a guerra em Gaza.
Trump, por sua vez, tem afirmado que o Conselho da Paz atuaria em cooperação com a ONU. Ainda assim, o presidente norte-americano deixou claro que teria poder de veto sobre as decisões do grupo, ponto que gera resistência em Brasília.
O telefonema entre Lula e Trump durou cerca de 50 minutos e abordou ainda outros temas, como a situação da Venezuela, o combate ao crime organizado e uma possível visita do presidente brasileiro aos Estados Unidos.
Viagem aos Estados Unidos
Apesar das divergências em relação ao Conselho da Paz e de críticas públicas feitas por Lula a Trump nos últimos meses, interlocutores do Planalto afirmam que a relação entre os dois segue estável. Durante a ligação, ficou acertado que Lula fará uma visita oficial a Washington no primeiro semestre, após compromissos na Índia e na Coreia do Sul. A expectativa é que a viagem ocorra já em março.
Sobre a Venezuela, Lula reforçou a necessidade de preservar a estabilidade regional e destacou que qualquer ação internacional deve priorizar o bem-estar da população venezuelana. O presidente brasileiro voltou a criticar a operação militar dos EUA que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro, classificando a iniciativa como um passo além do aceitável no cenário diplomático.
Mesmo com as diferenças, os dois líderes reconheceram o bom momento das relações bilaterais, lembrando o recente afrouxamento de tarifas impostas a produtos brasileiros no segundo semestre do ano passado.