
Lula tenta ligar deputado ao crime, mas esquece dos próprios tropeços
Presidente diz que fake news sobre Pix ajudaram o PCC, mas governo dele já recusou classificar facções como terroristas e até criticou a polícia por “prender mal”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atacar a oposição nesta sexta-feira (29), durante entrevista à Rádio Itatiaia. Sem citar nomes, mas mirando claramente no deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o petista disse que “um deputado” teria feito campanha de mentiras para “defender o crime organizado”.
A fala veio na esteira das operações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), em que o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que fake news envolvendo o Pix atrapalharam a implementação de uma medida de fiscalização sobre fintechs. Essas empresas, segundo o governo, teriam virado um dos braços financeiros mais fortes da facção criminosa.
“Tem um deputado que fez campanha contra as mudanças da Receita. Agora está provado que o que ele fazia era defender o crime organizado”, declarou Lula.
O presidente ainda aproveitou para classificar a ação policial deflagrada ontem como “a mais importante de 525 anos de Brasil” e lançou provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que “vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado no país”.
Enquanto isso, Lula cumpre agenda em Minas Gerais para anunciar investimentos do novo PAC, incluindo expansão da malha metroviária de Contagem, corredores exclusivos de ônibus e obras de mobilidade urbana.
O discurso, no entanto, escancara um paradoxo: o mesmo governo que acusa adversários de ajudarem o crime organizado já coleciona declarações e decisões que soam, no mínimo, contraditórias diante do avanço das facções no Brasil.
🔎 Duas observações sobre as contradições do governo Lula:
- Rejeição à proposta dos EUA – O governo Lula recusou oficialmente a ideia de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, mesmo diante da pressão internacional e da escalada da violência promovida por essas facções.
- Crítica à polícia por “prender mal” – O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, chegou a dizer que “a polícia tem que prender melhor”, pois, segundo ele, o Judiciário acaba tendo que libertar presos capturados de forma irregular. Na prática, a fala soa como um desdém com o trabalho policial e um recado de complacência com criminosos.