
Lula tenta se afastar de Moraes em meio à crise no Supremo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026) que não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Desce a Letra Show, em meio à crise envolvendo o ministro e às críticas de seu adversário eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A fala ocorre em um momento de pressão política sobre o Supremo, após a repercussão de informações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ao ressaltar que não participou da escolha de Moraes, Lula procura separar sua responsabilidade política da indicação do ministro, embora tenha feito questão de reconhecer a atuação dele em episódios que considera importantes para a democracia brasileira.
A indicação de Moraes e a tentativa de Lula de se desvincular
Durante a entrevista, Lula declarou:
“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte.”
O presidente também mencionou os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Jair Bolsonaro, argumentando que não foi responsável pelas escolhas.
Moraes foi indicado ao STF em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB). Naquele momento, Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro, e não senador, como Lula sugeriu durante a entrevista. Portanto, ele não participou da votação de aprovação da indicação no Senado.
A informação é relevante porque o argumento utilizado pelo presidente para rebater o adversário contém uma imprecisão factual. <Cite refs={[“turn0news0″,”turn0news9”]}/>
Lula elogia Moraes, mas tenta separar sua imagem da crise
Apesar de destacar que não indicou Moraes, Lula elogiou a atuação do ministro, atribuindo a ele serviços importantes à democracia.
O presidente citou especialmente dois episódios: a atuação de Moraes na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022 e sua participação nos julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Lula afirmou que o ministro teve papel importante na defesa da credibilidade das urnas eletrônicas e na responsabilização de pessoas condenadas pelos ataques às instituições.
A declaração coloca em evidência uma dupla mensagem política: Lula procura afastar de si a responsabilidade pela indicação de Moraes, mas, ao mesmo tempo, defende parte de sua atuação institucional. <Cite refs={[“turn0news6″,”turn0news8”]}/>
Flávio Bolsonaro, Banco Master e as acusações de Lula
Ao comentar as críticas de Flávio Bolsonaro a Moraes, Lula afirmou que a oposição ao ministro estaria relacionada principalmente às decisões judiciais contra Jair Bolsonaro e aliados, incluindo os processos ligados aos acontecimentos de 8 de janeiro.
O presidente também mencionou o caso Banco Master e fez acusações contra Flávio, relacionando-o ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Lula alegou que o senador teria solicitado recursos para a produção e afirmou que o caso deveria ser esclarecido. Essas declarações devem ser entendidas como acusações feitas pelo presidente, e não como comprovação de irregularidade. <Cite refs={[“turn0news6″,”turn0news9”]}/>
A crise no STF e a cobrança por esclarecimentos
O episódio ocorre em meio a questionamentos sobre possíveis relações entre integrantes do Supremo e Daniel Vorcaro. A situação ampliou a pressão pública por esclarecimentos e trouxe para o debate eleitoral a atuação da Corte.
Na véspera da entrevista, o STF discutiu a abertura de investigação relacionada a Moraes, mas a deliberação não foi concluída. A sessão foi marcada por divergências entre ministros e acabou suspensa após pedido de vista. <Cite refs={[“turn0news10″,”turn0news11”]}/>
Nesse contexto, a declaração de Lula de que não indicou Moraes não encerra as questões sobre a relação política entre o governo e o Supremo. Ela delimita, especificamente, quem ocupava a Presidência quando ocorreu a nomeação.
Partes envolvidas
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): presidente da República e candidato à reeleição. Afirmou que não indicou Moraes e elogiou sua atuação em episódios relacionados à democracia.
- Alexandre de Moraes: ministro do STF, indicado em 2017 por Michel Temer. Está no centro da crise envolvendo questionamentos sobre relações com Daniel Vorcaro.
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ): senador e adversário eleitoral de Lula, que tem criticado Moraes e explorado politicamente a crise no Supremo.
- Michel Temer (MDB): ex-presidente da República responsável pela indicação de Moraes ao STF em 2017.
- Daniel Vorcaro: ex-banqueiro ligado ao Banco Master, cujas relações com figuras públicas estão sob escrutínio.
- Jair Bolsonaro (PL): ex-presidente da República, pai de Flávio Bolsonaro, condenado em processos relacionados à tentativa de golpe, conforme mencionado por Lula.
- Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE): instituições cujas atuações e decisões estão no centro da discussão.
Crítica: afastar-se da indicação não significa encerrar o debate
A declaração de Lula é factual no ponto central: ele não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado ao STF. Mas a discussão política não se limita à autoria formal da nomeação.
Ao mesmo tempo em que tenta se esquivar da responsabilidade pela escolha do ministro, Lula faz questão de defender sua atuação e atribuir as críticas de Flávio Bolsonaro a motivações políticas. Essa combinação merece ser examinada com cuidado: reconhecer que a indicação foi feita por Michel Temer não elimina a necessidade de discutir, com base em fatos e documentos, os questionamentos atuais sobre o Supremo.
Também é necessário aplicar o mesmo padrão de transparência a todos os envolvidos. Acusações contra Flávio Bolsonaro, assim como suspeitas relacionadas a Moraes ou a qualquer autoridade, precisam ser apuradas e comprovadas, não tratadas como verdades apenas por terem sido pronunciadas em uma entrevista.
O ponto central para o cidadão é que a responsabilidade pela indicação de 2017 e a responsabilidade por eventuais fatos posteriores são questões diferentes. Uma não responde automaticamente à outra.
O que ainda precisa ser esclarecido
A crise exige informações verificáveis sobre as relações mencionadas, os fatos efetivamente investigados e os procedimentos adotados pelas instituições competentes. Também é importante distinguir as decisões judiciais já tomadas das suspeitas ainda em apuração.
A tentativa de Lula de se desvincular da indicação de Moraes é, portanto, apenas uma parte do debate. O restante depende de esclarecimentos objetivos, transparência institucional e apuração imparcial — sem que acusações eleitorais substituam provas.
Equipe Não Calo Notícias
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