
Lula transforma veto em palanque político e usa 8 de janeiro como símbolo eleitoral
Governo anuncia que veto ao PL da Dosimetria será assinado na data dos atos de 2023, em mais um gesto de exploração política da tragédia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar o Projeto de Lei da Dosimetria até o dia 8 de janeiro de 2026. A escolha da data, segundo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), não é técnica nem jurídica — é claramente política. O objetivo, de acordo com o próprio parlamentar, é usar o aniversário dos ataques às sedes dos Três Poderes como um ato simbólico promovido pelo Palácio do Planalto.
Em entrevista a uma rádio da Bahia, Jaques Wagner confirmou que Lula pretende transformar o veto em um evento público, sob o discurso de “lembrar um dia triste para a democracia”. Na prática, porém, a iniciativa soa como mais um capítulo da estratégia do governo de explorar politicamente o 8 de janeiro, usando a data como palanque permanente para reforçar narrativas e dividir o debate nacional.
“O presidente vai fazer um ato para que essa lembrança não passe em branco”, afirmou Wagner, deixando claro que o veto não será apenas uma decisão administrativa, mas um gesto cuidadosamente encenado. Lula, segundo ele, já teria pedido que ministros estejam em Brasília para participar da cerimônia, repetindo o modelo adotado neste ano.
A insistência em associar decisões legislativas a eventos simbólicos levanta críticas sobre o uso recorrente de tragédias institucionais como instrumento político. Em vez de tratar o PL da Dosimetria com base em critérios técnicos e jurídicos, o governo prefere transformar o veto em espetáculo, reforçando um discurso que já vem sendo repetido à exaustão.
O Palácio do Planalto ainda planeja convidar os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), numa tentativa de dar verniz institucional a um ato que, na essência, carrega forte carga ideológica e eleitoral.
Apesar das controvérsias, Jaques Wagner garantiu que a posição do governo não mudou e minimizou as críticas. Para opositores e parte do Congresso, no entanto, o gesto reforça a percepção de que Lula segue governando com os olhos no discurso político, usando datas sensíveis da história recente como ferramenta de mobilização — e não de pacificação.
Enquanto isso, temas centrais como segurança jurídica, equilíbrio entre os Poderes e respeito ao debate legislativo acabam ficando em segundo plano, soterrados por atos simbólicos que parecem servir mais à retórica do que ao país.