
Lula volta a atacar Bolsonaro e repete discurso de palanque em evento oficial
Presidente acusa governo anterior de abandono ao Nordeste, mas ignora dados e transforma anúncio público em ataque político
Em mais um discurso marcado por acusações e provocações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a usar Jair Bolsonaro como alvo preferencial. Durante um evento oficial em Mauá, na Grande São Paulo, Lula afirmou que o ex-presidente teria “negado recursos” a estados do Nordeste que não o apoiaram nas urnas — uma declaração que soa mais como retórica política do que compromisso com a verdade.
Segundo Lula, durante o governo Bolsonaro, estados nordestinos que não estavam alinhados politicamente ao Planalto teriam ficado sem receber “um centavo”. A fala, repetida mais de uma vez no mesmo evento, reforça a estratégia já conhecida do petista: reescrever o passado, simplificar fatos complexos e manter o antecessor como vilão permanente, mesmo estando fora do poder há anos.
— No governo passado, quem não estava do lado do presidente não recebeu nada. Agora, podem ter certeza de que eu estou colocando mais dinheiro em São Paulo do que qualquer outro presidente já colocou — disse Lula, sem apresentar números concretos que sustentem a comparação.
O discurso ocorreu durante a entrega de ambulâncias e o anúncio de investimentos em educação e saúde, ocasiões que deveriam priorizar políticas públicas, mas que acabaram servindo de palco para ataques políticos. Lula chegou a destacar que dois prefeitos do PL — partido de Bolsonaro — estavam presentes, chamando a legenda de “maior inimigo” do governo na Câmara, num tom que pouco contribui para o discurso de união que o próprio presidente costuma defender.
— Mesmo sendo do PL, vocês estão recebendo ambulância porque foram eleitos pelo voto do povo — afirmou, como se a obrigação constitucional de repassar recursos fosse um gesto de generosidade pessoal.
O presidente também declarou que, ao assumir o terceiro mandato, reuniu governadores e prefeitos para ouvir demandas e concluir obras paradas, tentando se apresentar como um gestor acima de disputas políticas. No entanto, o tom adotado ao longo do evento contradiz essa narrativa, reforçando a impressão de que Lula governa olhando mais para o retrovisor do que para o futuro.
Mais cedo, em outro compromisso no Instituto Butantan, Lula afirmou que não faz política perguntando “em quem a pessoa votou”, apesar de passar boa parte do dia justamente atacando o governo anterior e seus aliados. No mesmo evento, anunciou investimentos bilionários para a produção de vacinas, recursos que, embora relevantes, não apagam o uso constante de discursos inflamados e seletivos.
No fim das contas, Lula segue fiel a um roteiro já conhecido: exalta o próprio governo, demoniza Bolsonaro e transforma qualquer agenda administrativa em palanque político. Para críticos, trata-se menos de compromisso com os fatos e mais de uma estratégia calculada para manter viva uma polarização que lhe rende dividendos eleitorais — ainda que à custa da verdade e da pacificação do país.