
Lula volta a chamar Bolsonaro de “covarde” e retoma acusações sobre suposta trama de morte em discurso eleitoral
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a atacar o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, associando-o a uma suposta trama para matar um presidente e criticando sua ida a Miami. A declaração reacende a polarização política e levanta questionamentos sobre o uso de acusações graves como instrumento de confronto durante a campanha de 2026.
Em 18 de setembro de 2026, durante agenda política no Rio de Janeiro, Lula voltou a associar Jair Bolsonaro à tentativa de golpe de Estado e a um suposto plano para assassinar autoridades. O presidente fez as declarações ao contestar a proposta de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na ocasião, Lula afirmou que o episódio de 8 de janeiro representou terrorismo e citou o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, investigado pela Polícia Federal, que teria como alvos o próprio presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Mo
A fala se soma a outros ataques recentes de Lula contra Jair Bolsonaro e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em eventos de campanha. Em Minas Gerais, o presidente chegou a dizer que não queria ser comparado com Flávio porque ele “não é ninguém”, preferindo uma comparação com o ex-presidente.
A repetição dessas acusações no palanque eleitoral merece crítica. Em vez de concentrar o discurso em propostas concretas para segurança pública, economia e qualidade de vida, Lula volta a recorrer ao confronto com seus adversários e a episódios que já ocupam o centro da disputa política.
Isso não significa que investigações sobre planos contra autoridades devam ser ignoradas. Acusações dessa gravidade precisam ser examinadas com seriedade, provas e respeito ao devido processo legal. Mas também não devem servir como recurso permanente para desqualificar adversários ou evitar o debate sobre os resultados e as responsabilidades do governo atual.
O repúdio aqui é ao uso recorrente de ataques pessoais como substituto do debate público. O eleitor merece ouvir propostas, conhecer resultados e avaliar os compromissos de cada candidato — não apenas acompanhar uma sucessão de acusações e provocações.
A campanha exige responsabilidade. Lula tem o dever de explicar o que pretende fazer pelo país e responder às críticas à sua gestão. A gravidade de uma acusação não dispensa precisão, e a força de um discurso não substitui a apresentação de propostas.