Lula volta à COP30 para apagar incêndios diplomáticos na reta final das negociações

Lula volta à COP30 para apagar incêndios diplomáticos na reta final das negociações

Com a conferência atolada em indefinições, o presidente retorna a Belém para tentar destravar acordos que seguem emperrados — enquanto o mundo observa e o Brasil tenta manter o protagonismo climático.

A COP30 entrou na sua última semana e, em vez de acordos concretos, o que se vê é um emaranhado de dúvidas, travas e frustrações. Diante do impasse, Lula anunciou que voltará a Belém nesta quarta-feira (19) para tentar dar um gás nas negociações climáticas — algo que o Brasil esperava já ter encaminhado há dias.

O aviso foi feito por Marina Silva durante o encerramento da Cúpula dos Povos, evento paralelo que reuniu lideranças indígenas. Na carta, Lula afirmou que retornará para se reunir com o secretário-geral da ONU e com representantes de governos, sociedade civil, povos tradicionais, governadores e prefeitos.
Ou seja: vai ser um dia de bate-cabeça diplomático daqueles.

Apesar de toda a expectativa criada pela presidência brasileira da conferência, a semana decisiva começa sem avanços sólidos.
O maior gargalo? A adaptação às mudanças climáticas, ponto que deveria ser o mais consensual — mas virou o mais travado.

Países pobres, especialmente os africanos, estão com o pé no freio. O medo é simples e legítimo: que os parâmetros de adaptação virem uma espécie de “régua de controle” usada pelos países ricos para restringir financiamentos.
Em resumo: se fizer pouco, não ganha dinheiro; se fizer demais, pode perder também. Uma armadilha que ninguém quer assinar.

Além disso, outros temas continuam patinando:
• o programa de transição energética;
• o eterno debate sobre financiamento climático;
• e as divergências sobre responsabilidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Diante desse cenário emperrado, diplomatas brasileiros reconhecem que a chegada de Lula pode dar um empurrão político para movimentar as conversas — algo que, convenhamos, já virou tradição em COPs. Presidentes entram no campo só quando o jogo está feio.

Depois da maratona climática, Lula segue para a África do Sul para participar da cúpula do G20 no fim de semana, levando na bagagem mais uma tentativa de mostrar liderança global enquanto tenta apagar incêndios em casa e lá fora.

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