
Transparência Internacional denuncia gasto milionário para resgatar ex-primeira-dama do Peru
ONG critica operação da FAB que trouxe Nadine Heredia ao Brasil e chama o episódio de “infame”, enquanto o governo Lula tenta justificar o custo de R$ 345 mil como ato humanitário.
A polêmica pousou de vez no colo do governo brasileiro. A Transparência Internacional detonou a operação que trouxe a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, para o Brasil a bordo de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo a ONG, a FAB acabou fazendo papel de “piloto de fuga” a mando do próprio presidente Lula — uma acusação duríssima que já repercute em todo o continente.
Para a entidade, o episódio é “um dos mais infames da história latino-americana”, manchando a imagem do país e alimentando tensões políticas tanto no Peru quanto no Brasil.
A operação custou R$ 345 mil aos cofres públicos. O governo justificou o gasto dizendo que Heredia recebeu asilo humanitário por estar em tratamento contra um câncer. Mas a Transparência Internacional não comprou a versão — e muita gente no Brasil também não.
Os números do voo deixam claro o tamanho da conta:
• R$ 318 mil em logística;
• R$ 19 mil em taxas aeroportuárias;
• R$ 7,5 mil em diárias da tripulação.
Tudo isso para transportar uma condenada por corrupção e lavagem de dinheiro — crimes classificados como comuns pela Justiça peruana. Nada de perseguição política.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) conseguiu os detalhes da operação via requerimento ao Ministério da Defesa, e os dados só aumentaram a sensação de que o governo fez um gesto diplomático caro e extremamente questionável.
Antes do voo, Heredia entrou na Embaixada do Brasil em Lima logo após ser condenada, pediu asilo e, com apoio da defesa e do governo brasileiro, teve salvo-conduto emitido pelo Peru. A justificativa usada foi a Convenção de Caracas, que regula o asilo diplomático na América Latina.
Mesmo assim, a situação deixou um rastro de indignação: enquanto setores inteiros do país pedem cortes de gastos, Brasília desembolsou uma pequena fortuna para transportar a ex-primeira-dama condenada.
No fim das contas, fica a sensação incômoda de que o contribuinte brasileiro acabou pagando a conta de mais um capítulo turbulento da política latino-americana — e que a “solidariedade humanitária” do governo veio com um preço salgado demais para quem vive aqui no chão.