Volta ao passado: vereadores de Santos querem retomar carros oficiais com motoristas pagos

Volta ao passado: vereadores de Santos querem retomar carros oficiais com motoristas pagos

Câmara lança edital que pode custar mais de R$ 3,6 milhões por ano aos cofres públicos para bancar transporte de parlamentares; benefício foi abolido há mais de 30 anos

Três décadas depois de abrir mão dos carros oficiais, a Câmara Municipal de Santos pode trazer de volta um velho privilégio: veículos com motoristas à disposição dos vereadores, pagos com dinheiro público. Um edital publicado nesta segunda-feira (30) prevê a contratação de empresas para oferecer esse tipo de serviço, com uso permitido dentro e fora da cidade.

A proposta abre caminho para que os 21 parlamentares tenham acesso a transporte institucional, com direito a motorista. Se todos aderirem, o gasto anual pode ultrapassar os R$ 3,6 milhões – ou cerca de R$ 478 por dia para cada vereador.

A justificativa oficial é de que a medida daria mais agilidade às ações fiscalizatórias. A Câmara afirma que os vereadores precisam circular pelos bairros, visitar serviços públicos e participar de reuniões comunitárias. Mas o timing não ajuda: a proposta chega poucos meses depois de os próprios vereadores aprovarem um aumento generoso nos próprios salários, que quase dobraram, saltando de R$ 9,9 mil para R$ 18,8 mil, com direito a 13º.

Além da locação dos veículos com motoristas, a Câmara também abriu outro pregão eletrônico para contratar o fornecimento de combustível, com sistema informatizado e cartões de pagamento. Essa parte deve custar até R$ 464,9 mil por ano. Somando tudo, a conta chega a R$ 3.616.484,76 por ano.

Segundo apuração, os parlamentares foram consultados previamente, e a adesão será opcional. Mesmo assim, o edital já foi publicado e os contratos devem começar a valer em agosto, se o cronograma for mantido.

Uma volta ao tempo dos privilégios

A última vez que os vereadores de Santos tiveram direito a carro oficial foi no início dos anos 1990. Na época, a então presidente da Câmara, Maria Lúcia Prandi, cortou esse e outros benefícios para moralizar as contas públicas. Seu antecessor, Gilberto Tayfour, chegou a leiloar os veículos oficiais como símbolo de um novo tempo.

Enquanto isso, a Prefeitura de Santos foi na contramão: desde 2023, adotou transporte por aplicativo para deslocamentos oficiais, o que vem gerando economia de cerca de R$ 400 mil por ano.

Na justificativa da Câmara, o novo modelo evita custos com frota própria e encargos trabalhistas com motoristas, além de seguir um padrão adotado por outros órgãos públicos. Ainda assim, para muitos moradores, a ideia soa como um retrocesso embalado em papel de modernidade.

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