
Lula volta a criticar austeridade e defende moeda dos Brics como alternativa ao dólar
Durante evento no Rio, presidente diz que políticas econômicas impostas por organismos internacionais fracassaram e reforça a ideia de um comércio global menos dependente da moeda americana
Durante sua fala nesta sexta-feira (4/7), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a disparar contra o que considera uma obsessão mundial por austeridade fiscal. Segundo ele, as políticas de corte de gastos, tantas vezes defendidas por bancos e instituições financeiras internacionais, não resolveram os problemas econômicos em nenhum lugar do mundo.
“A receita da austeridade já se mostrou falha. Não deu certo em lugar nenhum”, afirmou Lula, em tom firme. Para ele, insistir nesse caminho é ignorar os desafios reais da desigualdade e da justiça social.
Mas Lula foi além. Ao discursar para uma plateia internacional, ele tocou num tema que vem defendendo com insistência: a criação de uma nova moeda comum entre os países do Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O presidente mencionou duas vezes a importância de reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais entre os membros do bloco.
Segundo ele, o domínio do dólar no comércio global cria amarras econômicas injustas, que limitam a soberania dos países em desenvolvimento. A proposta de uma moeda alternativa não é nova, mas Lula voltou a colocá-la como prioridade no debate internacional.
Em seu discurso, o presidente reforçou o que vem sendo uma das marcas de sua política externa: buscar uma ordem econômica mais multipolar e menos subordinada às potências tradicionais. A crítica à austeridade, assim como a defesa de uma moeda dos Brics, se encaixam nesse projeto de um mundo mais equilibrado — na visão de Lula, um mundo em que os países do Sul Global tenham voz e vez.