
Lula volta do Panamá com acordos no bolso e agenda cheia na América do Sul
Presidente sela parcerias econômicas, confirma posse no Chile e chama novo líder boliviano para conversa em 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua viagem oficial ao Panamá trazendo na mala mais do que fotos e discursos: voltou com acordos assinados, promessas de novas negociações e uma rodada diplomática engatada para os próximos meses.
Além de reforçar a parceria com o governo panamenho, Lula aproveitou o momento para ampliar sua articulação na América do Sul — inclusive com líderes de linha política bem diferente da dele, deixando claro que, na prática, a política externa segue aquela velha lógica: não importa a ideologia quando o assunto é interesse regional e sobrevivência geopolítica.
Acordos assinados: investimento, comércio e turismo
Durante a visita, Brasil e Panamá fecharam quatro instrumentos de cooperação, com destaque para um acordo voltado a investimentos, assinado pelo chanceler Mauro Vieira. A ideia, segundo o governo, é garantir mais segurança jurídica e previsibilidade para quem quer investir e circular capital entre os dois países.
Além disso, também ficaram formalizados:
- um termo de referência para iniciar negociações de um acordo comercial parcial;
- um memorando de entendimento para cooperação no setor de turismo, abrindo mais espaço para parcerias e movimentação econômica.
Posse no Chile: Lula confirma ida e acena ao pragmatismo
No campo político, Lula confirmou que estará em Santiago, em março, para participar da posse de José Antonio Kast como novo presidente do Chile.
O convite foi feito pessoalmente por Kast durante uma reunião bilateral, realizada à margem da agenda no Panamá. O gesto mostra que o Planalto quer manter o diálogo institucional mesmo quando o outro lado não fala a mesma “língua ideológica”.
Convite para a Bolívia e articulação antes da eleição brasileira
Ainda em solo panamenho, Lula também convidou Rodrigo Paz, apontado como o novo presidente da Bolívia, para uma visita oficial ao Brasil no primeiro semestre de 2026.
A expectativa é que o encontro aconteça antes do período eleitoral brasileiro, dentro do esforço do governo de manter a articulação regional ativa e alinhada.
Fórum regional e discurso sobre tensão global
O ponto central da viagem foi a participação de Lula no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, conhecido como uma espécie de “Davos latino-americano”.
No discurso, o presidente reforçou a defesa de maior integração regional, argumentando que, diante das disputas geopolíticas e do clima de instabilidade global, a América Latina precisa agir como bloco — e não como um conjunto de países isolados, cada um por si.
Sem citar diretamente nomes, Lula fez referência ao peso dos Estados Unidos, hoje sob a presidência de Donald Trump, e ao papel estratégico da região por estar próxima da maior potência militar do planeta.
Crítica à Celac: “paralisada por divergências ideológicas”
Lula também criticou a falta de avanço da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), afirmando que a organização está travada por disputas internas e divergências políticas entre os países.
Segundo ele, mesmo com esforços do presidente colombiano Gustavo Petro, a Celac sequer consegue produzir uma declaração conjunta diante de intervenções militares ilegais que impactam a região.
Em resumo: Lula voltou do Panamá tentando vender a ideia de que a América Latina precisa se unir — porque, do jeito que está, cada país fica vulnerável e o continente vira só plateia do jogo pesado das grandes potências.