
Lupi se defende na CPI do INSS: “Nunca fiz desvios nem acobertamentos”
Ex-ministro da Previdência nega irregularidades, critica fraudes no órgão e admite mágoa com a forma como deixou o cargo
Em um depoimento marcado por tensão e olhares atentos do Planalto, o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) negou qualquer envolvimento nas irregularidades que explodiram no INSS. Na CPI que investiga os descontos ilegais em aposentadorias e pensões, ele disse nunca ter praticado desvios ou acobertado fraudes.
“Não tenho condenações na Justiça. Nunca fiz desvios na minha vida, nem fui conivente. Espero ver presos todos os servidores que participaram desses crimes. Estou aqui como colaborador, não como convocado”, afirmou.
Apesar da postura firme, a fala de Lupi preocupa o governo. Ele não aceitou participar de um treinamento preparatório para a comissão e decidiu enfrentar as perguntas sem roteiro. O receio no Planalto é que seu jeito espontâneo acabe criando situações imprevisíveis.
Lupi deixou o ministério em maio, após o escândalo tornar sua permanência insustentável. Embora as investigações não o apontem diretamente como responsável, a avaliação política foi de que ele não conseguiu agir a tempo para conter os descontos abusivos. À época, a pressão da opinião pública pesou mais que as provas formais.
Em entrevistas anteriores, Lupi admitiu que houve demora na reação, mas rejeitou o rótulo de omisso. Disse também que não foi alertado, de forma clara, por outras áreas do governo sobre a dimensão das fraudes, que acabaram revelando um rombo bilionário.
Hoje, ele se apresenta como alguém injustiçado, mas disposto a colaborar com as investigações. Enquanto isso, a CPI continua a pressionar e a tentar entender como, sob sua gestão, os descontos associativos dispararam e criaram um dos maiores escândalos recentes da Previdência.