
Mais duas baixas no governo Lula — e poucas saudades pelo caminho
Lewandowski e Haddad sinalizam saída antecipada, após deixarem economia fragilizada e segurança pública em crise
O governo Lula pode começar o ano com duas cadeiras vazias na Esplanada — e, para muitos, sem grandes perdas. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já avisaram ao presidente que pretendem deixar seus cargos ainda nos primeiros meses de 2026. A informação foi divulgada pelo Blog do Valdo Cruz, da GloboNews.
Lewandowski quer sair rápido. Segundo pessoas próximas ao Ministério da Justiça, o aviso foi dado ainda na virada do ano. A intenção seria deixar o cargo até esta sexta-feira (9). Cansaço é o motivo oficial. Nos bastidores, porém, a avaliação é que a segurança pública segue desorganizada, com recordes de violência e nenhuma marca positiva que justifique insistir no posto.
Aliados dizem que o ministro sente que “já fez tudo o que podia”. Críticos discordam: afirmam que justamente o que faltou foi ação. Ainda assim, integrantes da pasta tentam convencê-lo a permanecer ao menos até a votação da chamada “PEC da Segurança”, que segue emperrada no Congresso. Caso confirme a saída, o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto deve assumir interinamente.
Fernando Haddad também sinalizou desejo de deixar o comando da Fazenda, embora com um pouco mais de paciência: pretende ficar até fevereiro. O discurso é político — ele quer se dedicar à articulação da campanha de reeleição de Lula. Dentro do PT, porém, há quem defenda que Haddad dispute o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado.
Na prática, sua saída ocorre em meio a uma economia fragilizada, marcada por dólar pressionado, desconfiança do mercado, crescimento tímido e promessas que ficaram mais no discurso do que no bolso do brasileiro. A sensação predominante é que Haddad sai sem entregar a estabilidade que prometeu — e sem deixar saudade.
Com a eventual saída do ministro da Fazenda, quem deve assumir é o secretário-executivo Dario Durigan, mantendo a linha atual, ainda que com pouco entusiasmo fora do Planalto.
Assim, o governo Lula caminha para perder dois ministros centrais quase ao mesmo tempo. Um deixa uma segurança pública pior do que encontrou. O outro sai com a economia em clima de pessimismo. Duas baixas relevantes — mas, para boa parte do país, dificilmente memoráveis.