Mais rigor do que justiça: Moraes volta a apertar o cerco sobre Anderson Torres

Mais rigor do que justiça: Moraes volta a apertar o cerco sobre Anderson Torres

Ministro do STF cobra explicações por visita fora do horário na Papudinha, reforçando a sensação de perseguição e excesso de controle em casos ligados ao bolsonarismo.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o comando do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal explique, em até 48 horas, uma visita realizada fora do horário autorizado ao ex-ministro Anderson Torres, preso na Papudinha.

A cobrança se baseia em um relatório que aponta a entrada de familiares de Torres no dia 11 de fevereiro, entre 17h e 19h — fora da janela definida pelo próprio Supremo. Em decisão anterior, Moraes havia fixado visitas apenas em três turnos: das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h. A diferença de horário foi suficiente para acionar mais uma ordem dura do ministro.

Para críticos, o episódio reforça a percepção de que Moraes atua com lupa e rigidez máxima quando os alvos são personagens ligados ao governo anterior. A insistência em transformar um detalhe administrativo em caso de urgência judicial soa, para muitos, menos como zelo institucional e mais como perseguição direcionada.

Torres, que foi ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro, cumpre pena elevada por envolvimento na chamada trama golpista. Mesmo preso, ele participa de atividades de ressocialização, trabalha dentro do sistema penitenciário, faz cursos e lê livros para reduzir a pena — um direito previsto em lei, mas que não parece amenizar a vigilância cerrada imposta pelo ministro.

A Papudinha, vale lembrar, também abriga Bolsonaro e outros nomes ligados à antiga gestão, todos sob forte atenção do Supremo. Para aliados do ex-presidente, o padrão se repete: decisões rápidas, cobranças duras e tolerância mínima, sempre concentradas no mesmo grupo político.

O comando da Polícia Militar do Distrito Federal agora terá de se explicar formalmente. Já no debate público, cresce a crítica de que Alexandre de Moraes ultrapassa a linha do equilíbrio, confundindo autoridade judicial com perseguição política — um movimento que, longe de fortalecer a democracia, aprofunda a desconfiança nas instituições.

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