
Sem povo, sem festa: Lula volta atrás e leva cerimônia para dentro da Favela do Moinho
Presidente reclamou de evento esvaziado e mudou local para garantir presença popular; governador Tarcísio ficou de fora por divergências políticas e agenda paralela.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu mudar de última hora o local de um evento oficial que anunciaria um acordo habitacional para a Favela do Moinho, no centro de São Paulo. A cerimônia, que seria realizada em um galpão do MST, voltará a acontecer diretamente na comunidade — como havia sido planejado originalmente.
A decisão foi tomada após o próprio Lula demonstrar insatisfação com o que chamou de “falta de povo” no ato fechado, restrito a lideranças de movimentos sociais. Para o presidente, não faria sentido realizar um anúncio voltado aos moradores da favela em um espaço que os isolasse da própria cerimônia.
A escolha anterior pelo galpão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra havia sido feita por razões de segurança. Mas essa mudança acabou afastando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se recusou a participar do evento. A proximidade do MST com a esquerda e a resistência do campo bolsonarista ao movimento tornaram sua presença politicamente inviável.
Mesmo com o retorno do evento à Favela do Moinho, Tarcísio manteve sua ausência. De acordo com o Palácio dos Bandeirantes, ele já estava comprometido com outro ato de habitação social, em São Bernardo do Campo, no mesmo dia, e ainda seguiria para uma agenda no interior, em Lagoinha.
A cerimônia também foi adiada: originalmente marcada para a manhã desta quinta-feira (26), passou para as 14h. O projeto anunciado envolve os governos federal, estadual e municipal, e prevê urbanização e reassentamento de famílias da região, que vivem em condições precárias.
No fim das contas, Lula decidiu ouvir sua intuição política e voltou ao que sabe fazer de melhor: falar diretamente com o povo, cara a cara, onde a realidade bate mais forte — no coração da comunidade.