Mais uma conta nas costas do povo: projeto quer impor vistoria obrigatória a carros antigos

Mais uma conta nas costas do povo: projeto quer impor vistoria obrigatória a carros antigos

Proposta em tramitação na Câmara reacende temor de novos custos, multas e burocracia para quem já luta para manter o carro em dia

Quando o brasileiro mal consegue pagar combustível, IPVA, seguro e manutenção, surge mais uma ideia para apertar ainda mais o bolso da população. Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados propõe tornar obrigatória a vistoria periódica para veículos com mais de cinco anos de fabricação, abrindo caminho para novas taxas, multas e punições.

O PL 3507/2025, apresentado pelo deputado Fausto Pinato (PP-SP), determina que automóveis mais antigos passem por inspeções técnicas regulares, em prazos que ainda seriam definidos pelo Contran. Na prática, isso significa mais gastos para quem depende do carro para trabalhar, estudar ou simplesmente sobreviver.

O texto também amplia as situações em que a vistoria seria exigida, como em casos de transferência de propriedade, recuperação de veículo roubado ou suspeita de clonagem. Embora o discurso oficial fale em segurança e controle ambiental, a preocupação real da população é outra: quem vai pagar essa conta?

Hoje, a inspeção completa só é exigida em casos pontuais. Com a mudança, milhões de motoristas poderão ser obrigados a levar seus veículos a centros credenciados para checagem de itens mecânicos, emissão de poluentes e ruído. Caso algo não esteja “dentro do padrão”, o risco é claro: multa, pontos na CNH e até retenção do carro.

O projeto já passou pela Comissão de Viação e Transportes, mas ainda precisa do aval da Comissão de Constituição e Justiça, além do Senado. Mesmo assim, o sinal de alerta já está ligado. Para muitos brasileiros, essa proposta soa menos como política pública e mais como mais um pedágio disfarçado, empurrado para quem não tem alternativa além de manter um carro antigo rodando.

No fim das contas, o medo é que a vistoria vire mais um imposto informal, travestido de fiscalização, enquanto o cidadão segue pagando cada vez mais — e recebendo cada vez menos.

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