Mais Uma Vergonha: Mesmo Após Agressão e Caos no Plenário, Glauber Braga Escapa da Cassação

Mais Uma Vergonha: Mesmo Após Agressão e Caos no Plenário, Glauber Braga Escapa da Cassação

Depois de chutar um membro do MBL, invadir a presidência da Câmara e ser retirado à força pela Polícia Legislativa, deputado do PSOL recebe apenas suspensão de seis meses — e sai, mais uma vez, praticamente impune.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) escapou novamente de uma punição proporcional às suas atitudes. Em vez de perder o mandato, como parecia praticamente certo durante boa parte da sessão, a Câmara optou por aplicar apenas uma suspensão de seis meses — uma decisão vista por muitos como mais um episódio de impunidade dentro do Congresso.

A cassação chegou a parecer inevitável. Havia votos, pressão política e um histórico de episódios que reforçavam a gravidade da conduta do parlamentar. Mesmo assim, setores da esquerda trabalharam intensamente nos bastidores para suavizar a punição e convenceram parte dos adversários a aceitar uma medida mais branda.

A proposta de suspensão passou por margem estreita: 226 votos a favor e 220 contra. Diante do risco de Glauber terminar o dia sem punição alguma, oposicionistas decidiram apoiar a suspensão para evitar o vexame de deixá-lo sair ileso. No fim, o placar consolidou o resultado: 318 votos a favor da suspensão, 141 contrários e três abstenções.

A votação deveria ter acontecido ainda na terça-feira (9), mas foi adiada após Glauber invadir e ocupar a cadeira do presidente da Câmara. A cena terminou com ele sendo retirado à força pela Polícia Legislativa, conforme ordem do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). A escalada de tensão só aumentou a percepção pública de que o caso era grave — mas nem isso resultou na cassação.

O que levou Glauber ao Conselho de Ética

O processo não surgiu do nada. Em 2024, Glauber agrediu fisicamente o influenciador Gabriel Costerano, ligado ao MBL, expulsando-o dos corredores da Câmara com chutes. O Conselho de Ética avaliou o caso, classificou a conduta como incompatível com o cargo e aprovou a cassação, enviando o processo ao plenário.

Ainda assim, Glauber se manteve inflexível. Antes da votação, disse em discurso que não se arrepende de nada e que não pediria desculpas. “Pela minha família eu sou capaz de muito mais do que um chute na bunda”, declarou — frase que, para muitos, soou como mais um sinal de desprezo pela instituição que ele deveria respeitar.

Aliados tentaram justificar a agressão dizendo que ele teria reagido a uma provocação envolvendo sua mãe. Já os opositores sustentaram que agressão física jamais pode ser normalizada, muito menos dentro da Câmara dos Deputados.

Mais um episódio que deixa a sensação de impunidade

Mesmo após a agressão, a invasão à mesa diretora, a greve de fome encenada nos corredores e o confronto direto com a presidência da Casa, o deputado volta para casa sem a punição máxima — e com a certeza de que, mais uma vez, conseguiu escapar.

Para muitos brasileiros, a mensagem que fica é amarga: no Congresso, dependendo de quem você é e de quem te protege, até agressão física, desacato e confusão generalizada podem acabar em apenas seis meses de suspensão.

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