Quando a Justiça Perde o Pudor

Quando a Justiça Perde o Pudor

Transparência Internacional denuncia contrato milionário entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes

A Transparência Internacional – Brasil voltou a acender o alerta vermelho nesta terça-feira (9). Depois da revelação de que o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, firmou um contrato que poderia chegar a R$ 129 milhões com o Banco Master, a organização não poupou críticas — e nem deveria.

Segundo a ONG, o sistema de Justiça brasileiro está se transformando num verdadeiro “Gilmarpalooza”, um festival onde interesses privados parecem circular livremente entre figuras do Judiciário, atropelando a confiança pública e fazendo a ética correr para salvar o próprio pescoço.

Um contrato gigantesco encontrado no celular do dono do banco

Toda a história veio à tona após a Polícia Federal apreender o celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso quando tentava embarcar para fora do país em um jatinho particular. No aparelho, os investigadores encontraram uma cópia do contrato firmado com o escritório de Viviane.

O acordo, revelado por O Globo, previa R$ 3,6 milhões por mês durante 36 meses, totalizando até R$ 129 milhões — isso para um banco que já estava cambaleando financeiramente e entrando em processo de dissolução.

Mas, segundo documentos analisados pela PF, mesmo em plena crise, os repasses ao escritório eram tratados como prioridade absoluta, como se nada mais importasse.

Um contrato de escopo amplo e influência ainda maior

O documento dava ao escritório da esposa de Moraes liberdade para atuar em praticamente todas as frentes jurídicas envolvendo o Master — o tipo de contrato que abre portas, cria atalhos e levanta muitas perguntas que ninguém no Judiciário parece disposto a responder.

Para piorar, os filhos do ministro, Alexandre Barci de Moraes e Giuliana Barci de Moraes, também aparecem assinando ações em nome do banco. A teia familiar está toda ali — sem pudor e sem cerimônia.

Ação contra investidor e derrotas do Master na Justiça

Entre os processos tocados pelo escritório, chama atenção uma queixa-crime apresentada contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital. Vorcaro e o banco acusaram o investidor de calúnia após ele afirmar que o dono do Master teria participado de operações fraudulentas envolvendo a Gafisa e um fundo imobiliário.

A defesa alegou que a fala “manchou a honra” de Vorcaro, mas o Master perdeu em duas instâncias — e ainda pode recorrer, porque no Brasil ninguém desiste fácil quando tem dinheiro e influência em jogo.

Operação policial, prisões e a sombra sobre o STF

Além de Vorcaro — hoje solto por decisão do TRF-1 — outros executivos do Master também foram presos. Segundo a PF, há suspeitas de crimes financeiros e irregularidades graves na gestão do banco.

Mas o ponto que mais causa indignação é outro:
Como é possível que a família de um ministro do Supremo Tribunal Federal mantenha um contrato milionário com uma instituição sob investigação?

A Transparência Internacional foi direta: isso escancara o risco de influência privada dentro do Judiciário — um risco que, dia após dia, vai deixando de ser suspeita para virar rotina.

E quando a Justiça vira rotina de escândalos, a democracia paga a conta.

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