
Manifestação bolsonarista em BH pede impeachment de Lula e Moraes e defende anistia aos presos do 8 de janeiro
Ato “Reaja Brasil” ocupa Praça da Liberdade com milhares, denunciando o governo federal e o STF e clamando por mudanças radicais
Neste domingo (3/8), a Praça da Liberdade, no coração de Belo Horizonte, virou palco de uma grande manifestação organizada por grupos bolsonaristas, como Direita BH, Pró Brasil e Conservadores em Ação. Batizado de “Reaja Brasil”, o protesto reuniu uma multidão que pediu o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Os manifestantes ocuparam toda a praça — da alameda principal às laterais e até atrás do trio elétrico que estava posicionado em frente ao Palácio da Liberdade. Segundo os organizadores, a expectativa era de que entre 10 mil e 30 mil pessoas comparecessem.
Na pauta do movimento, a cobrança pelo afastamento de Moraes se apoia na acusação de que o ministro “extrapolou os limites da Constituição” e usa o STF para “perseguir adversários políticos”. Já contra Lula, o discurso é ainda mais duro, criticando a “gestão desastrosa”, o “aparelhamento ideológico do Estado” e a “falta de responsabilidade institucional”.
Outro ponto central do ato foi o pedido de anistia para os presos relacionados às manifestações de 8 de janeiro, em Brasília, além de duras críticas ao governo federal, que, segundo os participantes, vive um cenário de corrupção institucionalizada e desmonte dos valores tradicionais ligados à família, à fé e à pátria.
Entre os participantes, Miriam dos Santos Leandro, de 41 anos e auxiliar de logística, expressou sua indignação com o processo contra os invasores dos prédios públicos na capital federal. “O Alexandre de Moraes está sendo juiz, vítima e advogado ao mesmo tempo. Isso é errado, porque todo mundo tem direito à defesa, menos com ele”, reclamou.
Leandro também reforçou seu posicionamento contra Lula: “É inacreditável que um presidiário, que já roubou o Brasil, esteja de volta governando o país”.
No ato, também estiveram presentes políticos conhecidos da direita, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e deputados federais do PL, entre eles Nikolas Ferreira, Domingos Sávio, Maurício do Vôlei e Eduardo Azevedo. Para Ferreira, Lula e Moraes são responsáveis pelo “desequilíbrio” da democracia brasileira, e a anistia aos presos é essencial para a “pacificação do país”.
Questionado sobre a pressão internacional envolvendo a Lei Magnitsky — que inspirou sanções contra Moraes — o deputado defendeu que, embora a responsabilidade interna seja fundamental, a influência externa também é importante para alcançar seus objetivos políticos.
Apesar da manifestação expressiva em Belo Horizonte, Cleitinho Azevedo acredita que a direita enfrentará reflexos nas urnas caso parte dos parlamentares não tome uma posição firme. “Quem não se posicionar vai ser cobrado pelo povo em 2026”, avisou.