
Maquiagem com verba pública? Nomeações de Erika Hilton levantam debate na Câmara
Deputada do PSOL diz que assessores são amigos e atuam em funções institucionais, mas publicações com trabalhos estéticos geram questionamentos sobre uso de dinheiro público
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) está no centro de uma polêmica após a revelação de que dois de seus assessores parlamentares também atuam como seus maquiadores pessoais. Os profissionais, Índy Montiel e Ronaldo Hass, foram nomeados para cargos com salários que chegam a R$ 9,6 mil mensais e trabalham diretamente no gabinete da parlamentar na Câmara dos Deputados.
A controvérsia veio à tona depois que os próprios assessores publicaram em suas redes sociais registros de maquiagens feitas em Erika para eventos oficiais e compromissos públicos. Em uma dessas postagens, Montiel celebra a condecoração de Erika pelo presidente da República com uma maquiagem assinada por ele. Em outra, Hass exibe seu trabalho feito para a deputada durante um ensaio técnico da escola de samba Paraíso da Tuiuti.
Essas imagens fizeram surgir dúvidas sobre se os assessores estão realmente exercendo funções parlamentares ou se estão sendo pagos com dinheiro público para prestar serviços pessoais.
Em resposta, Erika Hilton negou qualquer uso indevido da verba pública. Segundo ela, os dois são amigos de longa data e foram nomeados por suas contribuições institucionais — como participação em comissões, elaboração de relatórios e acompanhamento de agendas — e não pela habilidade com pincéis e bases. A deputada afirma que a maquiagem é uma atividade paralela, feita de maneira voluntária, fora do horário de expediente.
“Se eles não me maquiassem, continuariam sendo meus secretários parlamentares. Eles foram escolhidos pela capacidade de contribuir com meu mandato, especialmente nas pautas que defendemos”, disse Erika, em nota.
Apesar da defesa, o episódio reacendeu a discussão sobre como os deputados utilizam seus gabinetes e os critérios adotados para nomear assessores. Até o momento, a presidência da Câmara dos Deputados não se manifestou sobre o caso.
O uso de cargos comissionados para atividades que, aos olhos do público, podem parecer pessoais, levanta questionamentos importantes sobre a transparência e a responsabilidade no serviço público — especialmente quando se trata do uso de recursos que saem do bolso de todos os brasileiros.