
Trump ignora COP30 e deixa Lula falando sozinho na cúpula climática
Estados Unidos não enviarão autoridades de alto escalão para o encontro em Belém; presidente americano reforça desprezo pelo debate climático e aposta em combustíveis fósseis.
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, decidiu não enviar nenhum representante de alto escalão à COP30, a conferência do clima que será realizada em Belém do Pará, entre 10 e 21 de novembro. O gesto confirma o desinteresse da atual gestão americana pelas discussões sobre mudanças climáticas — uma bandeira tratada como prioridade pelo governo Lula (PT).
Conhecido por seu ceticismo ambiental, Trump já havia retirado os EUA do Acordo de Paris e segue estimulando a indústria de combustíveis fósseis, em contraste direto com o esforço global para reduzir emissões de carbono. Agora, com a decisão oficial da Casa Branca, fica claro que o país também não enviará negociadores importantes à conferência, nem participará da cúpula de líderes que antecede o evento.
“O presidente está dialogando diretamente com líderes de todo o mundo sobre questões energéticas, como evidenciado pelos acordos históricos de comércio e paz, que têm um foco significativo em alianças energéticas”, declarou um porta-voz do governo americano — evitando mencionar o tema climático.
Enquanto isso, a COP30 enfrenta uma preocupante escassez de lideranças internacionais. O Brasil anunciou que menos de 60 chefes de Estado confirmaram presença na reunião dos dias 6 e 7 de novembro — marcada separadamente para evitar colapso na rede hoteleira de Belém. Entre os confirmados estão os líderes de França, Alemanha, Reino Unido, Chile e Noruega, além do vice-primeiro-ministro da China, Ding Xuexiang, que representará Xi Jinping.
Nos bastidores, Trump tem usado sua influência para enfraquecer políticas ambientais globais, chegando a ameaçar países que apoiam a criação de um sistema internacional de precificação de carbono. Ambientalistas temem que o republicano planeje até retirar os EUA da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, o tratado que deu origem ao Acordo de Paris — uma medida que poderia isolar de vez o país das negociações ambientais.
Apesar de saber da resistência de Trump, Lula insistiu em convidá-lo pessoalmente para a COP30, depois de uma reunião em que ambos aparentaram boa relação. Havia esperança, dentro da diplomacia brasileira, de que o republicano ao menos enviasse uma delegação simbólica — algo que, agora, está descartado.
A ausência americana representa não só um revés diplomático para o Brasil, mas também um sinal sombrio para o futuro das políticas climáticas globais. A COP30, que deveria ser um marco de cooperação, começa com um silêncio incômodo vindo da maior economia do planeta.