
Mauro Cid pede aposentadoria antecipada ao Exército em meio a julgamento no STF
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro muda de ideia após delação e solicita transferência para a reserva remunerada
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, protocolou no dia 4 de agosto um pedido para deixar o serviço ativo e ser transferido para a reserva remunerada do Exército, antes mesmo de completar o tempo mínimo exigido pela carreira militar.
A decisão veio à tona no primeiro dia de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal, que analisa o caso da tentativa de golpe de Estado. Na solicitação, entregue junto a uma carta ao Comando do Exército, Cid afirmou que já teria cumprido quase todo o tempo de serviço e que deseja iniciar uma “nova fase” de sua vida.
Ele soma 29 anos e meio de carreira, pouco abaixo dos 31 anos necessários para aposentadoria regular. Por isso, recorreu à chamada “cota compulsória”, um mecanismo que depende de análise de uma comissão militar e da decisão final do comandante do Exército.
Caso seja aceita, a aposentadoria sairá com a patente de tenente-coronel, sem promoção ao posto superior — privilégio reservado a quem cumpre o tempo mínimo de serviço.
Fontes próximas afirmam que a mudança de posição de Cid, que resistiu a ir para a reserva em 2023, foi influenciada por sua delação, pelo desgaste psicológico e pela pressão de familiares e advogados. Nos bastidores, ele admite que não tem mais condições de continuar na ativa e, para o futuro, diz estar “aberto a sugestões”.