
Megaoperação no Rio deixa mais de 50 mortos e prende 80 suspeitos do Comando Vermelho
Ação das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha mobiliza 2 mil agentes e enfrenta barricadas, drones e resistência armada.
Uma megaoperação das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, resultou em mais de 50 mortes, incluindo dois policiais, e na prisão de cerca de 80 suspeitos nesta terça-feira (28/10). A ação, batizada de Operação Contenção, tem como objetivo combater a expansão do Comando Vermelho (CV) e capturar lideranças criminosas do Rio e de outros estados.
Os complexos, que somam 26 comunidades, foram escolhidos como alvo devido à sua importância estratégica para o tráfico, próximo a vias expressas e rotas de escoamento de drogas e armas. Desde o início da manhã, policiais civis e militares executam 69 mandados de prisão e busca em 180 endereços, apreendendo 31 fuzis até o momento. Entre os feridos estão três civis, incluindo uma mulher que estava em uma academia.
O governador Cláudio Castro (PL) destacou que a operação vai além da segurança pública, descrevendo-a como uma ação de Estado de Defesa, e criticou a falta de apoio federal:
“O Rio está sozinho nessa guerra. Já era para haver integração com as forças federais. Essa operação não é apenas do estado, excede nossas competências.”
Segundo o secretário de Segurança Victor Santos, os complexos representam um território de quase 9 milhões de metros quadrados tomado por criminosos, com becos intransitáveis e casas irregulares, o que torna impossível enfrentar a violência apenas com a força estadual.
Durante os confrontos, traficantes montaram barricadas, usaram drones para lançar explosivos e tentaram bloquear avenidas para desviar a atenção das forças policiais. A operação mobiliza drones, dois helicópteros, 32 blindados e 12 veículos de demolição, além de ambulâncias e equipes de resgate.
O governo confirmou a captura de lideranças importantes do Comando Vermelho, incluindo responsáveis pelo tráfico em regiões como o Chapadão e Gardênia Azul, além de operadores financeiros e chefes de organização dentro do esquema de tráfico. Segundo a Promotoria, esses criminosos ordenam homicídios, controlam pontos de venda e gerenciam toda a estrutura do narcotráfico.
Moradores relatam tiroteios constantes e dificuldade para se locomover desde o início da operação. Na Vila Cruzeiro, por exemplo, policiais ocupam todos os acessos com blindados, revistam mochilas e restringem circulação de motos, enquanto moradores seguem caminhando, atentos aos disparos que ecoam pelos becos.
A operação é considerada a maior da história das forças de segurança do Rio, resultado de mais de um ano de investigação e 60 dias de planejamento, e reforça a luta do estado contra a expansão territorial do Comando Vermelho.