Mendonça aponta Paraguai à frente do Brasil em segurança pública

Mendonça aponta Paraguai à frente do Brasil em segurança pública

Ministro do STF alerta para grave situação no país e compara índices com vizinhos da América Latina

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um diagnóstico contundente sobre a segurança pública no Brasil nesta segunda-feira (17/11), durante evento do Grupo de Líderes Empresariais Lide, em São Paulo. Durante a fala de 23 minutos, o magistrado afirmou que o Paraguai, a Argentina e o Chile estão à frente do Brasil em segurança pública, trazendo números que ilustram a gravidade do problema.

Segundo dados do Banco Mundial, a taxa de homicídios em 2023 no Paraguai foi de 7 por 100 mil habitantes, enquanto o Brasil registrou 19 por 100 mil habitantes. Para Mendonça, isso é apenas a ponta do iceberg de uma situação que ele considera crítica: “Estamos doentes e enfermos, só não nos demos conta. Quem entende de segurança pública sabe: não se trata um problema grave como câncer com pílula de AAS”, comparou.

O ministro lembrou que tentou atuar em ações sociais em uma comunidade no Rio de Janeiro, mas teve de desistir: “Eu ia fazer um trabalho social de assistência, mas me disseram que só poderia entrar dialogando com o tráfico. Não pude ir”, revelou. Ele ressaltou que o combate ao crime organizado não deve ser política de governo, mas sim em prol da sociedade.

Em tom humilde, Mendonça dispensou elogios recebidos do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB): “Agradeço de coração, mas são imerecidos, porque o papel de um magistrado é antes de tudo ser discreto”. Ele reforçou seu estilo pessoal: equilíbrio e discrição. “Não esperem grandes teorias, esperem equilíbrio. Meu compromisso é equilíbrio, discrição”, afirmou.

O ministro também se mostrou visivelmente abalado na semana passada durante um embate com o colega Dias Toffoli, na Segunda Turma do STF. A discussão envolveu a interpretação de um voto sobre um processo de 2005, no qual um juiz processou um procurador da República por declarações à imprensa. O clima esquentou quando Toffoli disse que Mendonça “fica exaltado com covardia”, e ele respondeu que Toffoli estava “exaltado sem necessidade”.

Com o evento, Mendonça deixou claro que enxerga a segurança pública como um problema estrutural, que exige ação coordenada e não medidas pontuais, e que o Brasil precisa encarar a realidade antes que o quadro piore.

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