Mensagens revelam que Lulinha autorizou lobista a usar foto com Lula para impressionar empresário da Unigel

Mensagens revelam que Lulinha autorizou lobista a usar foto com Lula para impressionar empresário da Unigel

Reportagem do Metrópoles aponta que Roberta Luchsinger enviou imagem do filho do presidente ao empresário Leo Slezynger durante tratativas comerciais. A lobista teria recebido pelo menos R$ 1,26 milhão no período investigado pela Polícia Federal, enquanto um contrato da Unigel com a Petrobras foi posteriormente desfeito após apontamentos do TCU.

Uma reportagem publicada pelo Metrópoles em 16 de outubro de 2026, assinada por Andre Shalders e Andreza Matais, trouxe novos detalhes sobre as relações entre a empresária e lobista Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o empresário Leo Slezynger, ligado à petroquímica Unigel.

Segundo a publicação, Roberta utilizou uma fotografia de Lulinha ao lado de seu pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para demonstrar proximidade com o núcleo presidencial a Slezynger, empresário que a havia contratado para representar interesses da Unigel junto à Petrobras e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A imagem teria sido registrada em 26 de abril de 2023, durante uma viagem oficial de Lula à Europa. Embora Lulinha não constasse na comitiva oficial, ele esteve no continente durante o período.

A troca de mensagens entre Roberta e Lulinha

De acordo com as mensagens reproduzidas pelo Metrópoles, Lulinha enviou a fotografia a Roberta em 26 de abril de 2023 e pediu que ela não a compartilhasse.

A empresária, porém, perguntou se poderia encaminhar a imagem a Leo Slezynger, explicando que queria demonstrar a proximidade entre eles e destacar a presença de Lulinha na viagem presidencial.

Roberta sugeriu informar ao empresário que Fábio estava acompanhando agendas internacionais do presidente. Na sequência, Lulinha respondeu em tom descontraído à conversa.

A reportagem afirma que Roberta enviou a fotografia a Slezynger pouco depois, acompanhada da mensagem de que Fábio estava com o presidente em uma agenda internacional.

O conteúdo das mensagens é relevante para compreender como a proximidade com o presidente poderia ser apresentada durante tratativas empresariais. Entretanto, o uso de uma fotografia ou a demonstração de proximidade política não comprova, isoladamente, a prática de um crime.

Pagamentos de R$ 1,26 milhão e atuação junto à Petrobras e ao BNDES

Outro ponto destacado pela reportagem é o valor dos pagamentos feitos por Leo Slezynger à lobista.

Segundo informações atribuídas às investigações da Polícia Federal, Roberta recebeu pelo menos R$ 1,26 milhão entre março de 2023 e julho de 2024.

Ela havia sido contratada para representar interesses da Unigel junto à Petrobras e ao BNDES. No caso da estatal petrolífera, a empresa buscava um contrato de processamento de gás por encomenda.

O acordo com a Petrobras foi assinado em 29 de dezembro de 2023, mas acabou desfeito em junho de 2024, depois que o Tribunal de Contas da União apontou alto risco de prejuízo para a companhia.

O pagamento à lobista e a existência do contrato são elementos que ajudam a dimensionar as relações comerciais investigadas, mas não demonstram, por si sós, que houve pagamento ilícito ou interferência indevida.

Convite para Lulinha integrar um fundo de investimentos

A publicação também relata que Roberta orientou Slezynger a convidar Lulinha para atuar como conselheiro de um fundo de investimentos ambientais que o empresário estava estruturando.

Segundo a reportagem, o convite foi efetivamente realizado.

Esse episódio levanta questões sobre a natureza da relação entre os envolvidos, a eventual remuneração prevista e as qualificações e responsabilidades que seriam atribuídas a Lulinha. Para determinar se houve alguma irregularidade, é necessário conhecer os documentos do convite, as condições propostas e o contexto das negociações.

O que precisa ser esclarecido

A reportagem apresenta três pontos centrais: a utilização da fotografia para demonstrar proximidade com Lula, os pagamentos feitos à lobista e as tratativas envolvendo interesses empresariais perante órgãos federais.

Esses elementos merecem análise pelas autoridades, sobretudo diante das investigações que envolvem suspeitas de tráfico de influência. A conclusão sobre eventual responsabilidade criminal, porém, depende da apuração completa dos fatos e da comprovação dos elementos de cada possível infração.

O caso também reforça a importância da transparência nas relações entre empresários, lobistas, familiares de autoridades e integrantes do governo. A proximidade com uma figura pública não é, por si só, ilegal; o que precisa ser esclarecido é se ela foi utilizada para obter vantagens indevidas ou interferir irregularmente em decisões administrativas.

A questão central não é apenas quem aparece em uma fotografia, mas qual era o objetivo de sua utilização nas negociações, quais interesses estavam em jogo e se houve algum benefício irregular. São essas respostas, sustentadas por documentos e provas, que poderão determinar a relevância jurídica dos episódios relatados.

Fonte principal: Metrópoles — Lulinha deixou lobista usar foto com Lula para impressionar empresário. <Cite refs={[“turn474535news4″,”turn474535search7”]}/>

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