Mesmo fora do país, Ramagem é puxado de volta ao tribunal virtual de Moraes

Mesmo fora do país, Ramagem é puxado de volta ao tribunal virtual de Moraes

STF retoma processo suspenso após cassação, e aliados veem mais um capítulo do que chamam de perseguição política

Mesmo vivendo nos Estados Unidos, o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) voltou a ser alvo do Supremo Tribunal Federal — ainda que à distância. Foragido desde que deixou o Brasil, Ramagem foi interrogado por videoconferência nesta quinta-feira (5), depois que o ministro Alexandre de Moraes decidiu reativar um processo que estava paralisado.

A oitiva, que durou cerca de 50 minutos, foi conduzida por uma juíza auxiliar do gabinete de Moraes. Ramagem participou acompanhado de seu advogado e, segundo relatos, negou todas as acusações, classificou o processo como uma farsa e acusou diretamente o ministro do STF de conduzir uma perseguição política.

O interrogatório ocorreu após Moraes retomar a ação penal que trata de supostos crimes cometidos depois da diplomação de Ramagem como deputado federal, entre eles dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. O processo havia sido suspenso por decisão da Câmara dos Deputados, que garantiu imunidade parlamentar ao então deputado — proteção que caiu após a cassação do mandato.

Para aliados de Ramagem, a reativação do caso soa menos como um procedimento técnico e mais como insistência política. Eles apontam que, enquanto outros personagens do cenário nacional seguem blindados por acordos institucionais e silêncios convenientes, o ex-diretor da Abin continua sendo tratado como alvo prioritário.

Ramagem já havia sido condenado, em setembro, a 16 anos de prisão por crimes atribuídos a fatos anteriores à sua diplomação, incluindo acusações graves como tentativa de golpe e organização criminosa. Pouco antes da prisão definitiva ser decretada, ele deixou o país e passou a morar nos Estados Unidos.

O Ministério da Justiça confirmou que já encaminhou formalmente um pedido de extradição ao governo norte-americano, por determinação de Moraes. Segundo a Polícia Federal, Ramagem teria saído do Brasil por uma rota alternativa, passando pela Guiana, e embarcado rumo aos EUA. Seus aliados, no entanto, afirmam que ele pretende solicitar asilo político, alegando falta de garantias de um julgamento imparcial no Brasil.

A condução do caso reacende críticas recorrentes ao STF e, especialmente, a Moraes, acusado por setores da oposição de concentrar poderes, atropelar decisões do Legislativo e usar o Judiciário como instrumento político. Para esses críticos, o interrogatório virtual de Ramagem simboliza um Judiciário que não larga seus alvos — mesmo quando eles já estão a milhares de quilômetros de distância.

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