
Moraes cobra imagens de operação no Rio e reacende acusações de perseguição seletiva
Para críticos, ministro age com rigor contra governos e aliados bolsonaristas enquanto silêncios em outros escândalos seguem sem explicação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo do Rio de Janeiro entregue, em até 15 dias, todas as imagens registradas durante a megaoperação policial realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, ação que terminou com 121 mortos e entrou para a história como a mais letal já registrada no estado.
As gravações deverão ser encaminhadas à Diretoria-Geral da Polícia Federal, que ficará responsável pela perícia, elaboração de laudos técnicos e transcrição do material. A decisão foi tomada no âmbito da chamada ADPF das Favelas, que acompanha operações policiais em comunidades do Rio.
Embora a determinação seja apresentada como medida de controle institucional, críticos de Moraes veem na iniciativa mais um capítulo do que chamam de atuação seletiva do ministro, frequentemente direcionada a governos estaduais, policiais e personagens ligados — direta ou indiretamente — ao campo político associado ao bolsonarismo.
Nos bastidores políticos e nas redes sociais, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro voltaram a levantar questionamentos sobre o rigor adotado por Moraes nesse caso, contrastando com o silêncio do STF diante de outros episódios sensíveis, como o escândalo envolvendo o Banco Master. Esses críticos cobram explicações mais claras sobre relações institucionais e pessoais que, segundo eles, nunca foram devidamente esclarecidas — ainda que não exista, até o momento, qualquer comprovação formal de irregularidade envolvendo o ministro ou sua família.
Além da cobrança das imagens, Moraes também solicitou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informações sobre o andamento do plano do governo fluminense para retomar territórios dominados por facções criminosas. O Ministério Público do Rio de Janeiro foi instado a detalhar sua participação em todas as fases da chamada Operação Contenção.
A ofensiva judicial reacende um debate que já se tornou recorrente no país: até que ponto decisões do STF representam fiscalização legítima do Estado e quando passam a ser vistas como instrumentos de pressão política. Para os críticos, a sensação é de que a balança da Justiça pesa sempre para o mesmo lado — e raramente se move quando o assunto envolve figuras protegidas pelo sistema.