
Moraes afrouxa de um lado, aperta do outro: autoriza caminhadas para Bolsonaro, mas veta aliados
Ministro muda regras de visitas na Papudinha e mantém bloqueio contra Valdemar e Magno Malta
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu alterar as regras de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso no NCPM (Núcleo de Custódia da Polícia Militar), em Brasília. Na prática, Moraes autorizou caminhadas monitoradas e aceitou mudanças no calendário de visitas, mas barrou pedidos feitos em favor do senador Magno Malta e do dirigente do PL Valdemar da Costa Neto.
A decisão, segundo o despacho, atende solicitações da PMDF e também pedidos da defesa de Bolsonaro. Ainda assim, o que chama atenção é o jeito como Moraes continua conduzindo tudo: controlando cada detalhe, como se a prisão fosse um tabuleiro onde ele decide quem entra, quem sai e quem pode até respirar mais aliviado.
Visitas mudam de dia e ficam mais restritas
Com a mudança determinada por Moraes, as visitas aos presos considerados “sensíveis” passam a ocorrer às quartas-feiras e aos sábados, com entrada de até dois visitantes por vez, seguindo as regras internas do núcleo.
O ministro justificou que a alteração ajudaria na organização da rotina e reduziria o fluxo de pessoas durante os dias úteis.
Ou seja: tudo passa pelo filtro dele — como se a vida dentro da unidade dependesse de despacho, e não de regras claras e previsíveis.
Caminhadas monitoradas e assistência religiosa ampliada
Além disso, Moraes autorizou que Bolsonaro faça caminhadas monitoradas, sempre com escolta policial, em áreas definidas dentro do NCPM, como:
- campo de futebol
- pista asfaltada nos fundos da unidade
A medida, segundo a decisão, atende recomendações médicas e não prevê contato com outros presos.
O ministro também liberou a ampliação da assistência religiosa, com acompanhamento policial, nos mesmos moldes já aplicados no local.
Veto a Magno Malta e Valdemar: “não pode”, porque Moraes não quer
Apesar de autorizar parte dos pedidos, Moraes manteve a mão pesada ao negar visitas de dois nomes próximos de Bolsonaro.
Magno Malta
No caso do senador, Moraes justificou o veto afirmando que houve uma tentativa anterior de entrada na unidade sem autorização.
Valdemar da Costa Neto
Já para Valdemar, o ministro alegou que a visita poderia representar risco às investigações em andamento, já que ele é investigado em procedimentos ligados ao mesmo contexto do processo.
E aí está o ponto que revolta: Moraes age como se fosse juiz, chefe de segurança, diretor do presídio e dono da chave ao mesmo tempo, decidindo quem pode ter contato com quem, como se isso fosse um favor pessoal e não uma decisão que deveria ser tratada com equilíbrio e transparência.
Até remédio vira assunto de despacho
A decisão ainda registra que a distribuição de medicamentos a Bolsonaro ocorre de forma “padronizada”, com supervisão direta, seguindo o protocolo aplicado aos demais custodiados.
No fim, Moraes determinou que tudo fosse comunicado ao batalhão responsável pelo NCPM e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Resumo do que aconteceu
- Moraes mudou o calendário de visitas (quarta e sábado)
- Limitou a entrada para 2 visitantes por vez
- Autorizou caminhadas monitoradas com escolta
- Liberou assistência religiosa ampliada
- Negou visitas de Magno Malta e Valdemar