Moraes barra visita de Valdemar a Bolsonaro e amplia isolamento político do ex-presidente

Moraes barra visita de Valdemar a Bolsonaro e amplia isolamento político do ex-presidente

O ministro do STF negou o pedido de Bolsonaro para receber Valdemar Costa Neto, após o aliado voltar a ser investigado por organização criminosa e tentativa de golpe. Decisão reforça as restrições impostas ao ex-presidente em prisão domiciliar.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para receber a visita do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar desde agosto.

A decisão vem logo após a reabertura das investigações contra Valdemar, que volta a ser alvo da Procuradoria-Geral da República por suposta participação em organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito — o termo jurídico usado para se referir à tentativa de golpe de Estado.

Moraes lembrou que, ao determinar a prisão domiciliar de Bolsonaro, impôs uma série de restrições cautelares, entre elas a proibição de manter contato com embaixadores, autoridades estrangeiras, réus e investigados.
Como Valdemar voltou à lista de investigados, ele automaticamente entrou no grupo de pessoas com quem o ex-presidente está impedido de conversar ou receber visitas.

Um aliado distante

A decisão tem também um peso simbólico: Valdemar é um dos principais articuladores políticos do PL e figura central no núcleo de aliados mais próximos de Bolsonaro. A proibição imposta por Moraes, portanto, não apenas restringe visitas, mas afasta o ex-presidente de um de seus maiores conselheiros políticos.

Nos bastidores, advogados de Valdemar orientaram o dirigente a evitar entrevistas e aparições públicas, especialmente depois da decisão da Primeira Turma do STF, que, por 4 votos a 1, seguiu o voto do relator Moraes e determinou o reenvio do caso à PGR.

Volta à mira da Justiça

Valdemar havia escapado de uma denúncia anterior apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet, mas a Polícia Federal já o havia indiciado no inquérito que investiga a tentativa de golpe.
Com o novo desdobramento, ele volta à condição de investigado e poderá responder por organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Moraes justificou a reabertura das investigações ao lembrar que ela estava condicionada à condenação de Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, engenheiro e presidente da empresa Voto Legal, que acabou sentenciado a 7 anos e 6 meses de prisão.

Isolamento político

Com a negativa, Bolsonaro continua praticamente isolado de seus principais aliados. Impedido de participar de eventos, de falar com outros investigados e de se reunir com dirigentes partidários, o ex-presidente vive um período de reclusão política forçada — uma espécie de silêncio estratégico imposto pela Justiça.

Enquanto isso, Valdemar tenta se equilibrar entre as funções de líder do PL e os novos desafios judiciais que surgem no caminho.
Para quem acompanha o caso, a decisão de Moraes deixa claro: qualquer movimento em torno de Bolsonaro e seus aliados seguirá sendo monitorado de perto.

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