
Ciro Gomes volta ao PSDB e fala em “libertar o Ceará”: um retorno carregado de simbolismo e provocações
Em evento marcado por reencontros e recados políticos, o ex-governador cearense selou sua volta ao PSDB, agradeceu Tasso Jereissati e fez críticas diretas ao PT e a Lula. “O tempo da libertação se aproxima”, afirmou.
O ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes oficializou, nesta quarta-feira (22), seu retorno ao PSDB, partido onde começou parte de sua trajetória política. O ato de filiação, realizado em um hotel de Fortaleza, reuniu aliados, antigos adversários e um clima de recomeço — com direito a discursos inflamados e declarações que soaram como recados para velhos desafetos.
A cerimônia contou com a presença do ex-senador Tasso Jereissati, figura histórica do PSDB e um dos principais responsáveis por convencer Ciro a voltar ao ninho tucano. Em tom emocionado, Ciro agradeceu o convite e chamou Tasso de “o maior estadista cearense”. Segundo ele, essa filiação marca “um recomeço de vida pública” e o fim de um ciclo que, nas suas palavras, foi corroído por “traição e ingratidão” dentro do PDT.
Recados e ironias
O discurso de Ciro foi um misto de provocação e reafirmação política. Sem citar nomes diretamente, ele criticou o PT e ironizou as alianças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relembrando que o petista já se uniu a figuras de diferentes espectros políticos.
“Quando Lula se elegeu, chamou José Alencar, do PL. Depois, escolheu Michel Temer. E, mais recentemente, Geraldo Alckmin, fundador do PSDB. Para eles, pode tudo”, disparou, arrancando aplausos da plateia.
Ciro também fez menção ao deputado André Fernandes (PL), presente no evento, e admitiu que os dois tiveram “desavenças”, mas que isso seria resolvido “fraternalmente”. Em seguida, lançou mais uma farpa ao PT:
“Podem trazer as diferenças. Aqui não tem ladrão. E lá?”, provocou.
Libertação e futuro
O momento mais simbólico do discurso veio quando Ciro falou sobre o Ceará. Com voz firme e gestos largos, afirmou que “o tempo da libertação se aproxima” e que, embora “morra pelo Brasil”, é pelo Ceará que ele “mata”.
A fala foi interpretada como um chamado à oposição local contra o atual governador Elmano de Freitas (PT).
Apesar de não confirmar oficialmente uma candidatura ao governo estadual, Ciro deixou claro que pretende liderar uma frente ampla para enfrentar o grupo petista que domina o estado há quase duas décadas.
“Precisamos reconstruir o que queremos para o futuro do Ceará, enfrentar as facções que tomaram conta das ruas e devolver esperança ao nosso povo”, disse.
Em nível nacional, ele voltou a criticar o que chama de “lulismo eterno”, defendendo um novo projeto de país baseado em reconciliação e responsabilidade.
O papel de Ciro no PSDB
O ex-senador Tasso Jereissati aproveitou o evento para destacar a nova missão do correligionário:
“Ciro tem duas tarefas históricas: ajudar a reconstruir o PSDB como um partido de centro, moderado e essencial para o Brasil, e resgatar o orgulho de ser cearense.”
Ciro assumirá a presidência estadual do PSDB, enquanto o ex-prefeito José Sarto ficará à frente do diretório municipal em Fortaleza.
O evento terminou sob aplausos, em um clima que misturava nostalgia e esperança — a volta de um político combativo ao partido onde tudo começou. Para seus aliados, a filiação de Ciro é mais que um gesto político: é o renascimento de uma liderança que, mesmo desgastada por embates, ainda fala com a paixão de quem não desistiu da política nem do Ceará.