Moraes ignora apelos da defesa e mantém condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão

Moraes ignora apelos da defesa e mantém condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão

Mesmo com 85 páginas de argumentos apontando erros e contradições, o ministro rejeita recurso e reforça o peso da pena imposta ao ex-presidente por suposta “trama golpista”.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve firme sua posição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta sexta-feira (7/11), em julgamento no plenário virtual, Moraes rejeitou os embargos de declaração da defesa e manteve a pena de 27 anos e 3 meses de prisão atribuída a Bolsonaro pela chamada “trama golpista”.

Como relator do caso, Moraes foi o primeiro a votar e não economizou nas palavras — nem nas páginas: foram 141 ao todo, rebatendo ponto por ponto os argumentos da defesa. Para o ministro, não há qualquer “contradição, omissão ou erro material” na condenação, e os advogados de Bolsonaro estariam apenas tentando “revisar o resultado de um julgamento já fundamentado”.

A defesa, por sua vez, apresentou 85 páginas de recurso, alegando que a decisão anterior foi injusta e repleta de falhas. Pediu que o STF revisse “omissões” e “inconsistências” no cálculo da pena e na avaliação das provas. Mas Moraes rejeitou tudo, afirmando que cada etapa da sentença foi “detalhadamente explicada” e que o ex-presidente teve sua pena fixada “de forma proporcional às condutas praticadas”.

Logo em seguida, Flávio Dino acompanhou o voto de Moraes. Também devem votar Cristiano Zanin e Cármen Lúcia — integrantes da Primeira Turma. O ministro Luiz Fux, agora na Segunda Turma, não participa da análise.

O julgamento dos embargos é um passo importante: se forem rejeitados, abre-se caminho para o cumprimento da pena, inicialmente em regime fechado, no Complexo da Papuda, em Brasília. Hoje, Bolsonaro segue em prisão domiciliar por outro processo, no qual é acusado de descumprir medidas cautelares.

Além do ex-presidente, outros nomes do chamado “núcleo 1” também recorreram, com penas que variam de 16 a 27 anos de prisão. Entre eles estão Braga Netto, Anderson Torres, Augusto Heleno, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira e Alexandre Ramagem. O único que não recorreu foi Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que já começou a cumprir pena e recentemente retirou a tornozeleira eletrônica.

Os réus foram condenados por cinco crimes:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado à União;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A expectativa agora é que o julgamento termine até o dia 14 de novembro. Caso os recursos sejam novamente negados, o processo poderá seguir direto para a execução da pena — o que colocaria Bolsonaro mais próximo da prisão em regime fechado.

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