
Ex-assessor de Moraes vai a julgamento no STF sob suspeita de vazamento e manipulação de dados
Eduardo Tagliaferro, ex-homem de confiança de Alexandre de Moraes, é acusado de quatro crimes ligados à “Vaza Toga” e pode virar réu por expor mensagens internas do STF e do TSE.
O Supremo Tribunal Federal começou nesta sexta-feira (7) mais um julgamento que promete levantar poeira em Brasília. O alvo da vez é Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, acusado pela Procuradoria-Geral da República de quatro crimes graves: violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Tagliaferro, que já chefiou a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação no TSE durante as eleições de 2022, é apontado como o responsável pelo vazamento de mensagens privadas de juízes auxiliares de Moraes — episódio que ficou conhecido como “Vaza Toga”. As conversas, reveladas à imprensa, mostravam como relatórios internos da assessoria eram usados para embasar decisões do ministro, como quebras de sigilo e bloqueios de redes sociais.
Segundo a Polícia Federal, foi o próprio Tagliaferro quem entregou o conteúdo à mídia. Para seus defensores, ele apenas trouxe à tona o que chamou de “abusos de autoridade” dentro do Judiciário. Já para Moraes e a PGR, a atitude teve outro propósito: minar a credibilidade das instituições e colaborar com grupos investigados por fake news e atos antidemocráticos.
Em sua denúncia, o procurador-geral Paulo Gonet afirma que o ex-assessor agiu “em sintonia com organizações criminosas” e tentou desacreditar o sistema eleitoral. Moraes, relator do caso, votou para torná-lo réu, dizendo que o vazamento foi uma tentativa de “intimidar e constranger o exercício legítimo da função jurisdicional”.
A Primeira Turma do STF, composta por Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino, decidirá até o dia 14 se aceita a denúncia. Caso a maioria vote a favor, o processo seguirá para a fase de coleta de provas e depoimentos.
Fora do país, Tagliaferro vive na Calábria, na Itália, onde foi detido recentemente e proibido de deixar a região. O STF já pediu sua extradição ao governo italiano.