
Moraes libera ministro José Múcio de depor sobre tentativa de golpe após eleição de Lula
Titular da Defesa pediu dispensa por não ter ligação com os fatos investigados; depoimento estava marcado para 22 de julho
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o dispensou de prestar depoimento como testemunha na investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado, articulada após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.
José Múcio foi incluído no processo a pedido da defesa do tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, um dos acusados do chamado “núcleo 3” da investigação, formado majoritariamente por militares. Ao se manifestar, o ministro alegou não ter qualquer conhecimento sobre os fatos analisados e solicitou que sua convocação fosse cancelada.
“Desconheço completamente os acontecimentos que estão sendo investigados. Por isso, peço que minha oitiva como testemunha seja indeferida”, afirmou Múcio em petição ao STF. Moraes acolheu o argumento e suspendeu o depoimento, que estava agendado para o dia 22 de julho, por videoconferência.
Quem são os réus do núcleo 3
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), os integrantes do núcleo 3 da investigação formavam um grupo organizado para tentar manter Jair Bolsonaro no poder. No dia 28 de novembro de 2022, após a confirmação da vitória de Lula, os envolvidos teriam se reunido para redigir uma carta de conteúdo golpista destinada aos comandos das Forças Armadas.
Além da carta, o grupo teria discutido ações drásticas para provocar uma comoção nacional, o que abriria espaço para a execução de um golpe. Entre os planos investigados, estavam até mesmo possíveis atentados contra autoridades como o presidente Lula, o ministro Alexandre de Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Lista dos réus desse grupo:
- Bernardo Romão Correa Netto – coronel do Exército
- Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira — general da reserva
- Fabrício Moreira de Bastos — coronel
- Hélio Ferreira Lima — tenente-coronel
- Márcio Nunes de Resende Júnior — coronel
- Rafael Martins de Oliveira — tenente-coronel
- Rodrigo Bezerra de Azevedo — tenente-coronel
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior — tenente-coronel
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros — tenente-coronel
- Wladimir Matos Soares — policial federal
Segundo a PGR, essas ações fariam parte de uma tentativa de ruptura institucional, cuja gravidade está sendo investigada com prioridade pelo STF. A dispensa de José Múcio, por não ter envolvimento direto com os fatos, sinaliza que a Justiça busca focar em testemunhos considerados realmente relevantes para o caso.