Moraes manda Justiça refazer cálculo de pena em caso do relógio histórico do Planalto

Moraes manda Justiça refazer cálculo de pena em caso do relógio histórico do Planalto

Condenado pelos atos de 8 de Janeiro terá desconto de dias trabalhados e de leitura analisado novamente

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que a Justiça de Minas Gerais refaça, em até 48 horas, o cálculo da pena do mecânico Antonio Cláudio Ferreira, condenado por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Ferreira ficou conhecido por ter destruído um relógio histórico do século XIX, presente de Balthazar Martinot a Dom João VI e parte do acervo do Palácio do Planalto.

A ordem foi direcionada à Vara de Execuções Penais de Uberlândia, que deverá emitir um novo atestado de pena a cumprir, já considerando os descontos autorizados anteriormente pelo próprio Moraes. Ao todo, são 66 dias a menos na condenação: 62 dias por trabalho realizado dentro do presídio e quatro dias por leitura comprovada.

Condenado a 17 anos de prisão, o mecânico segue em regime fechado no presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia. A progressão ao semiaberto chegou a ser autorizada pela Justiça local em 2025, mas foi rapidamente anulada por decisão do STF, sob o argumento de que apenas a Corte tem competência para deliberar sobre a execução penal dos réus do 8 de Janeiro.

Trabalho, estudos e nova conferência

Além da revisão do tempo de pena, Moraes também determinou que a Justiça estadual comprove a carga horária e a frequência de Ferreira em atividades educacionais, incluindo sua participação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), no qual ele obteve certificação do ensino fundamental.

O ministro ainda ordenou a verificação detalhada das leituras realizadas pelo condenado. Segundo documentos citados na decisão, Ferreira apresentou resenhas de quatro livros, entre eles O Mulato, de Aluísio Azevedo, além de obras da literatura brasileira clássica.

A determinação foi reiterada porque, na avaliação de Moraes, a Justiça mineira não cumpriu integralmente ordens anteriores sobre a atualização do atestado de pena, o que gerou inconsistências apontadas também pela defesa.

Caso marcado por idas e vindas

Ferreira chegou a ser solto em junho de 2025 por decisão de um juiz de primeira instância, que entendeu haver direito à progressão de regime. O STF, no entanto, considerou a soltura irregular, apontou falha administrativa e ordenou sua prisão novamente poucos dias depois.

Desde então, o mecânico cumpre pena de forma contínua, já com o período de prisão preventiva devidamente descontado. O relógio histórico destruído durante os atos foi restaurado na Suíça e devolvido ao acervo presidencial em 2025, encerrando um dos episódios simbólicos mais marcantes da depredação ocorrida no Planalto.

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