Mudança estratégica no governo paulista marca dia sensível para Tarcísio

Mudança estratégica no governo paulista marca dia sensível para Tarcísio

Governador troca comando da Casa Civil justamente na data em que tinha visita prevista a Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu mexer em uma das pastas mais importantes do seu governo nesta quinta-feira (22). Depois de mais de dois anos no cargo, Arthur Lima deixou o comando da Casa Civil, área responsável pela articulação política do Palácio dos Bandeirantes.

A mudança, no entanto, não significou afastamento. Lima foi deslocado para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública e assume a nova função já nesta sexta-feira (23). Para ocupar o seu lugar na Casa Civil, Tarcísio escolheu Roberto Carneiro, atual presidente estadual do Republicanos, reforçando a presença do partido no núcleo duro do governo.

O detalhe que chamou atenção foi o timing. A troca aconteceu no mesmo dia em que o governador tinha uma visita marcada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), encontro que acabou cancelado sob a alegação de “conflitos de agenda”. Oficialmente, a agenda de Tarcísio registrava apenas despachos internos no Palácio dos Bandeirantes.

O cancelamento rapidamente alimentou especulações sobre os planos políticos do governador, especialmente em relação a uma possível candidatura presidencial. Nas redes sociais, Tarcísio evitou qualquer sinal nesse sentido, reafirmando lealdade a Bolsonaro e se esquivando de discussões sobre 2026.

No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, voltou a autorizar a visita do governador ao ex-presidente, que segue preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha. O encontro foi remarcado para a próxima quinta-feira (29), às 11h, com previsão de durar duas horas.

De acordo com aliados ouvidos pela imprensa, o adiamento não foi apenas questão de agenda. A avaliação interna era de que a conversa poderia resultar em pressão direta para que Tarcísio declarasse apoio mais explícito a uma eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Diante do cenário, o governador preferiu ganhar tempo — e reorganizar a própria casa antes de enfrentar um diálogo politicamente delicado.

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